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Mãe diz que falta de UTI influenciou na morte da filha em Sinop

“Foi negada a transferência da minha filha para uma Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional”. Foram com essas palavras que a moradora do bairro Boa Esperança e mãe de uma menina, de 3 anos, Luciene Sampaio Aroucha, descreveu o sofrimento vivido após a criança ter mais de três paradas cárdicas e morrer. Ela confirmou, em entrevista, ao Só Notícias, que a filha era especial, sofria de convulsões.

“Minha filha sofria de epilepsia e tinha paralisia cerebral. Era uma criança especial e chegou com muita febre na UPA. Foi ótimo o atendimento. Eles atenderam muito bem a minha filha que teve três paradas cárdicas e eles a reanimaram. Na última, não aguentou e acabou falecendo porque não conseguimos uma Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional”, disse.

Aroucha apontou ainda que à família está extremante indignada com a recusa de atendimento. “Neste momento, não estou pensado só no que ocorreu com a minha filha, mas o que pode ocorrer com os filhos de outras pessoas que também precisam do atendimento público. Só eu sei o que eu passei com a minha filha e não desejo esse sofrimento para ninguém. A revolta é grande e estamos extremamente indignados”.

O corpo da menina está sendo velado no memorial da funerária Luz e Vida, na avenida das Embaúbas, no centro. O sepultamento está previsto para ocorrer neste sábado, no cemitério da Saudade, às 9h. 

Por nota, a secretaria municipal de Saúde confirmou que criança deu entrada na UPA na quarta-feira, às 21h55, já em crise convulsiva e 39’7 graus de temperatura, evoluindo com piora do quadro, tendo também um quadro infeccioso com pneumonia e crises convulsivas em intervalos curtos de difícil controle. No histórico médico da criança consta que ela possuía paralisia cerebral desde o nascimento.

Na quinta-feira, a coordenação da UPA junto com a secretaria de Saúde solicitou ao Estado a regulação da criança para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ontem, por volta das 7h foi registrado rebaixamento de nível de consciência da criança, com piora dos sinais vitais e a primeira parada cardiorrespiratória sendo que a menina foi entubada e reanimada, em seguida ela apresentou em torno de 7 paradas, sendo reanimada. Porém, às 11h27 foi declarado o óbito.

“As equipes que atenderam a criança na UPA realizaram todos os procedimentos possíveis, já que se trata de uma unidade de pronto atendimento e não hospital. Até o início da tarde de ontem, não houve retorno, via e-mail, por parte da Secretaria Estadual de Saúde sobre a regulação de uma UTI e a informação repassada aos médicos que atenderam a criança, via telefone, é que o Estado não teria vaga de UTI para a menina”, consta em trecho da nota enviada pelo município.Só Notícias tentou contato com a Secretaria Estadual de Saúde, mas até o momento, não houve respostas.

A secretaria de Estado de Saúde informou que tomou todas as providências cabíveis, inclusive colocando à disposição o serviço de UTI Aérea para a transferência. A criança deu entrada na UPA em Sinop com um quadro de crise convulsiva “tônico crônica”. Na quinta-feira às 12h53 foi solicitado via regulação de urgência e emergência à transferência da menina para Cuiabá para tratamento de doença respiratória com pedido de UTI. Na manhã de sexta-feira, à informação disponível na regulação é que houve “piora do quadro geral” dela.

Das 9h em diante por diversas vezes o médico regulador tentou entrar em contato com a assistência da menina para atualizar seu quadro clínico e verificar se havia condições de ela ser transportada pela UTI aérea. Em nenhum momento das tentativas houve uma resposta. Segundo a Regulação Estadual, pelo menos até o final da tarde de sexta-feira, não havia chegado nenhuma informação, ou seja, não havia a comunicação que houve o óbito da paciente.

A diretoria do Hospital Regional Sinop também esclareceu que as vagas na unidade devem ser solicitadas através da central de regulação e não foi feita esta solicitação. “Esclarecemos que a unidade regional de Sinop não tem UTI pediátrica, portanto não poderia receber a paciente. A equipe do hospital apontou ainda que sente muito pela perda de uma criança de forma tão súbita e se solidariza com o sofrimento da família”.

(Atualizada às 10h48)