O Ministério Público do Trabalho, em conjunto com os auditores-fiscais do Trabalho da Superintendência Regional de Trabalho e Emprego de Mato Grosso, resgatou na última segunda-feira cinco trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em uma empresa de reciclagem em Rondonópolis (218 km de Cuiabá).
Segundo o MPT, a fiscalização ocorreu motivada por uma denúncia feita ao plantão fiscal da Gerência Regional do Trabalho local. “Durante a diligência, foram confirmadas condições degradantes tanto no ambiente laboral quanto nos alojamentos fornecidos”, apontou o Ministério, que acrescentou ainda que os trabalhadores operavam máquinas obsoletas e sem manutenção, sem o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). “Relatos indicaram, inclusive, a ocorrência constante de choques elétricos durante o uso. Além da insegurança, foi constatada a submissão a jornadas exaustivas, que se iniciavam às 5h30 e se estendiam rotineiramente até após as 22h”, detalha.
Entre as vítimas resgatadas, três eram provenientes do interior de Mato Grosso, enquanto as outras duas, pai e filho, eram residentes de Rondonópolis. Após a operação, o procurador do Trabalho Pedro Henrique Godinho Faccioli, em atuação na Procuradoria do Trabalho no Município, propôs, durante uma audiência, a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). Com o acordo firmado, a empresa comprometeu-se a cumprir 16 obrigações, entre elas a de abster-se de submeter trabalhadores a condições que sejam análogas à escravidão, submetendo-os a trabalhos forçados ou jornada exaustiva, sujeitando-os à servidão por dívida ou a condições degradantes de trabalho, ou mesmo restringindo, por qualquer meio, sua locomoção.
Também assumiu o compromisso de realizar o registro em CTPS dos trabalhadores, os depósitos do FGTS, o pagamento das verbas rescisórias devidas e das indenizações por dano moral individual, além do custeio do deslocamento para a cidade de origem e estadia até a data do retorno. Por fim, foi estabelecida a proibição de repetição de todas as irregularidades constatadas, sob pena de multa de R$ 20 mil por obrigação descumprida e por trabalhador prejudicado.
“A operação foi essencial para garantir a pronta retirada dos empregados de condições degradantes, com riscos para sua vida e saúde, e para impedir, até que haja a devida regularização, que novos trabalhadores sejam contratados para prestar serviços no estabelecimento. Os empregados resgatados terão assegurados, além do seguro-desemprego, todos os direitos trabalhistas, inclusive verbas rescisórias, indenização por dano moral e custeio do retorno à cidade de origem. Assim, terão respaldo financeiro para buscar novo emprego com cautela, desta vez sob condições dignas e atentando para promessas falsas”, afirmou o procurador.
Ainda conforme o MPT, de acordo com a denúncia, um casal foi atraído para a empresa mediante falsas promessas de emprego. Ambos utilizavam instalações sanitárias compartilhadas com os demais funcionários da empresa e ocupavam quartos sem armários, com ventilação insuficiente e sem fornecimento de roupas de cama. No local onde estavam alojados, não havia fornecimento regular de água potável. A água consumida era transportada pelos empregadores em garrafas PET, de forma inadequada. Conforme apurado pela fiscalização, alimentos provenientes de sobras de feiras livres eram levados ao alojamento para consumo dos trabalhadores.
Outro trabalhador resgatado encontrava-se alojado dentro do próprio barracão operacional da empresa. Ele dormia em uma estrutura improvisada, sem qualquer condição mínima de privacidade, higiene, proteção contra intempéries ou isolamento térmico e acústico.
Além do TAC firmado com o MPT, auditores-fiscais do Trabalho, por parte do Ministério do Trabalho e Emprego, habilitaram as vítimas para recebimento do Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado.
Receba em seu WhatsApp informações publicadas em Só Notícias. Clique aqui.



