Geral

É tensa a situação em reserva onde policiais federais de Mato Grosso são reféns

Membros do governo federal e o presidente da Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur), José Novaes, negociam hoje a libertação dos quatro policiais federais de Mato Grosso que há uma semana são mantidos reféns na comunidade do Flechal, no norte do estado. Os representantes do governo reunidos na sede da superintendência regional da Polícia Federal em Roraima são do Gabinete de Segurança Institucional, da Casa Civil e do Ministério da Justiça. Eles chegaram nesta manhã em Boa Vista, e acompanham o superintendente regional da Polícia Federal, José Mallmann e o delegado responsável pela Operação Upatakon, Osmar Tavares.

As lideranças do Flechal são ligadas à Sodiur, entidade que protesta contra a homologação em área contínua da terra indígena Raposa Serra do Sol. Ontem à tarde, Mallmann esteve na sede da Sodiur para auxiliar os indígenas a elaborar as reivindicações que serão apresentadas à Fundação Nacional do Índio (Funai). A reportagem da Agência Brasil conversou com Novaes minutos antes de começar a reunião na sede da Polícia Federal. Ele afirmou que a Sodiur não tem ainda uma pauta de reivindicações fechada para apresentar aos representantes do governo federal e que esperava ouvir deles propostas que acalmassem as lideranças do Flechal. “Eu não tenho poder de ordenar a libertação dos policiais, a comunidade está muito revoltada, agindo por conta própria.”

“Não somos contra a homologação da Raposa Serra do Sol, mas queremos que ela exclua as vilas urbanas, as estradas, as áreas de produção”, sustentou Novaes. Esses pedidos coincidem com aqueles apresentados por Ottomar Pinto, governador de Roraima, ao presidente Luís Inácio Lula da Silva e ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, em reunião ocorrida em Brasíla, na última terça-feira (26). No último domingo (24), o historiador e professor da Universidade Federal de Roraima, Jaci Guilherme Vieira, acusou a Sodiur de representar o interesse dos arrozeiros. “Queremos que os arrozeiros fiquem na área para que nos paguem pelo uso da terra. Como vamos sobreviver? Na terra indígena São Marcos (também em Roraima, área vizinha à Raposa Serra do Sol) os parentes estão na miséria”, disse Novaes.