O delegado Bráulio Junqueira afirmou, hoje, que não houve elementos suficientes para lavrar o flagrante do policial militar apontado como autor dos disparos que mataram o ex-policial militar Ednilton Rafael Santos Costa, de 36 anos, ontem, em uma empresa no bairro Jardim Terra Rica. O militar e o proprietário da empresa foram apresentados espontaneamente à Delegacia de Polícia Civil pelo comandante regional da Polícia Militar, acompanhados por advogado, prestaram depoimento e foram liberados.
Segundo o delegado, ambos foram interrogados logo após a apresentação e relataram a mesma versão dos fatos. Conforme Bráulio, Ednilton entrou em contato com o empresário por telefone e, em seguida, enviou uma mensagem informando que estava indo ao local para conversar com ele. “Com a chegada do Costa lá, segundo eles, o Costa teria já batido a mão na porta e, com arma em punho, o (policial militar) efetuou os disparos”, declarou, segundo versão do policial e do empresário.
Ainda de acordo com o delegado, o policial apontado como autor dos disparos já estava na empresa antes da chegada da vítima. A versão apresentada é de que ele teria ido ao local para tratar de um serviço particular relacionado à instalação de uma pia de mármore em sua residência. As imagens de câmeras de uma empresa vizinha confirmam que o policial chegou antes de Ednilton.
Bráulio explicou que o empresário afirmou viver sob constante ameaça após romper com uma organização criminosa. “Como o empresário é decretado, porque o histórico dele, não sei se todos já sabem, que ele já foi preso, ele era envolvido com cobranças na cidade, ele foi preso, ele se desentendeu, ele denunciou a facção criminosa, se desentendeu com o e foi decretado. Então, ele anda de carro blindado hoje e, segundo ele, vive constantemente sendo ameaçado de morte.”
O delegado acrescentou que, conforme informações já levantadas pela investigação, “todos os cobradores da cidade hoje, para continuar trabalhando, são obrigados a se faccionar ou pagar a taxa da facção criminosa”. Por isso, segundo ele, existe a informação de que Ednilton teria ligação com a facção criminosa. “Diante desse desentendimento do empresário com a facção criminosa, o empresário acreditou que o Ednilton poderia estar em um local pré-executado. Quando chegou lá, segundo a informação dos dois, nós não temos mais nenhuma outra prova até o momento, o Costa abriu a porta, o (policial militar) efetuou os disparos”, afirmou.
Após o crime, segundo Bráulio, o policial militar entrou em contato com a Polícia Militar e se apresentou espontaneamente. O delegado ressaltou que, até o momento da lavratura da ocorrência, os únicos elementos disponíveis eram os depoimentos dos envolvidos e as imagens externas da empresa vizinha. “Só o interrogatório dos dois e a filmagem do vizinho, que mostra a hora que o (policial militar) chegou, a hora que o Edenilton chegou, o movimento dos veículos, é só isso que nós temos. Eu, como delegado plantonista, naquele momento, diante das circunstâncias dos fatos apresentados, entendi que, preliminarmente, configuraria legítima defesa.”
Ele reforçou que a conclusão foi baseada exclusivamente nas provas existentes naquele momento. “Nós temos que ser técnicos, profissionais, não adianta trabalhar na base da emoção. Com base nas provas que nós tínhamos, eu entendi naquele momento que era legítima defesa. Agora compete a gente, durante a investigação, comprovar ou não a versão dos dois.”
Questionado sobre a ausência das imagens internas da empresa, já que o boletim de ocorrência apontou que o DVR estava sem os cabos, o delegado confirmou que a recuperação das gravações era uma das prioridades da investigação. “Veja bem, um cara que está decretado, ele jamais ficaria sem câmeras de filmagem. E ele é um cara esperto. Só que não estava lá o DVR, eles estavam cortados os cabos.” Segundo Bráulio, o (empresário) informou que o equipamento havia sido retirado entre uma semana e quinze dias antes para troca do sistema de monitoramento. “A alegação dele é de que estava em manutenção e teria sido retirado esse DVR há cerca de uma semana, 15 dias atrás, para fazer mudança de equipamento. Volto a falar, é a versão dele. Nós temos que comprovar isso ou não, se é verdade ou não.”
O delegado reconheceu que a situação desperta suspeitas. “Não temos as filmagens internas. É estranho? Claro que é estranho. Um cara que está decretado estar sem o DVR das filmagens, mas é o que aconteceu. Então, não temos. Nós temos a filmagem externa, da vizinhança.”
Bráulio também confirmou que o policial militar apresentou voluntariamente o fuzil utilizado no homicídio. “O policial militar, quando ele se apresentou para o comando dele, de imediato, na delegacia, ele foi cobrado o fuzil, ele apresentou o fuzil para a gente. O fuzil é registrado, está no nome dele. Ele assumiu a autoria, apresentou a versão dele, as circunstâncias e a motivação”, concluiu o delegado, reforçando que a investigação continua e que diversas diligências ainda serão realizadas.
Conforme Só Notícias informou, Ednilton foi encontrado já sem vida em frente à porta da empresa. A perícia constatou, preliminarmente, cerca de cinco disparos de arma de fogo, sendo um deles na região da face. Os tiros partiram do interior do escritório da marmoraria e alguns projéteis ainda atingiram a parede do barracão. Ao lado do corpo foi localizada uma pistola calibre .380, apreendida para perícia.
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