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Arcanjo é denunciando como mandante do assassinato de empresário

O empresário João Arcanjo Ribeiro, o “Comendador” – hoje preso no Uruguaio -, acusado de comandar o crime organizado em Mato Grosso (MT), pode ganhar uma nova condenação como mandante de crime. O ex-homem poderoso foi denunciado pelo Ministério Público como mandante do assassinato do empresário Mauro Sérgio Manhoso, executado com nove tiros de pistola calibre 380 em nove de outubro de 2000.
     
     O crime praticado em plena luz do dia – por volta das 16 horas -, e em um local de grande movimentação de pessoas, aconteceu na Rua Barão de Melgaço, quase em frente à Assembléia Legislativa, área central de Cuiabá.
     
     Segundo documentos do Ministério Público, João Arcanjo – até então tido como “intocável” -, teria “encomendado” a execução para eliminar um homem que estava se tornando um forte concorrente em seus negócios de jogos ilícitos no Estado.
     
     Manhoso estava se preparando para inaugurar uma nova modalidade de jogo conhecido como “raspadinha”, juntamente com sua empresa Prodados, que já vinha praticando jogos eletrônicos e bingos em Cuiabá e em outras cidades do interior de Mato Grosso.
     
     O “Comendador”, segundo o Ministério Público, se sentiu ameaçado com o surgimento do rival e com a forte concorrência e mandou eliminar o homem que poderia ser ainda mais forte que ele.
     
     Consta ainda de documentos, que o então cabo da Polícia Militar, Hércules Araújo Agostinho – hoje ex-cabo devido a sua expulsão da PM -, e o ex-soldado PM Célio Alves de Souza, expulso muito antes de Hércules – foram contratados por João Arcanjo para eliminar Manhoso.
     
ENTENDA O CASO – O empresário Mauro Manhoso estava saindo do escritório dele, localizado próximo da Assembléia Legislativa e, ao entrar no carro foi recebendo tiros. As balas foram disparadas por um homem que estava na garupa de uma moto. Os dois fugiram em alta velocidade em direção ao bairro do Porto.
     
 Preso logo após a execução do empresário Domingos Sávio Brandão Júnior, dono do Jornal Folha do Estado em 30 de setembro de 2002, Hércules negou sua participação de todos os crimes em que era acusado e aparecia como pistoleiro de aluguel.
     
     Para completar ainda mais as investigações, o hoje ex-cabo ainda conseguiu fugir misteriosamente das dependências da Unidade Prisional de Pascoal Ramos (penitenciária), meses depois.
     
     Só depois que foi recapturado em Rondônia, também meses depois, o homem, cuja cabeça chegou a valer R$ 100 mil como recompensa por sua captura, resolveu abrir a boca e confessar tudo, inclusive a morte de Manhoso.