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Operário de Várzea Grande tenta resgatar ídolo

Uma mão amiga é estendida para o cidadão José Ferreira. Ídolo do Dom Bosco na década de 70 e do Operário no início de 80 e, uma das lendas viva do futebol de Mato Grosso, o ex-goleiro Mão de Onça tenta recomeçar uma nova vida. Do estrelado ao vivenciar o melhor momento do futebol profissional de Mato Grosso nas décadas de 70 e 80, o ex-atleta vive hoje largado ao ostracismo e sem o assédio da época em que era um dos principais nomes do Tricolor várzea-grandense.

Já sem amigos do tempo de jogador e esquecido pela família, Mão de Onça está de ‘volta" ao futebol e ao clube que o consagrou. Agora na função de um simples ‘ajudante" do Operário Futebol Clube. A ajuda ao ídolo tricolor parte do vice-presidente do clube Elson Batista, que ficou conhecendo a história de sofrimento do ex-jogador, que perambulava até pouco tempo pelas ruas de Várzea Grande mendigando um prato de comida e de um copo de cachaça para afogar as mágoas.

O dirigente ressalta a vontade de resgatar o cidadão José Ferreira, que se confunde com a do ‘monstro sagrado" do futebol mato-grossense. "O Operário não podia virar as costas para seus ídolos, principalmente ao Mão de Onça, que é o que está mais precisando de ajuda de todo o pessoal de sua época. Há muito tempo ele vive abandonado por todos, mendigando pelas ruas. Quero ajudá-lo a resgatar o desejo de viver, de ser respeitado pela sociedade. Dentro das nossas limitações vamos dar a nossa parcela de contribuição", afirma Elson Batista, que cedeu um pequeno quarto do Centro de Treinamento da Vila Olímpica, conhecido como CT do Carrapicho, para o ex-goleiro morar.

Lá, Mão de Onça fica responsável de fazer a manutenção do local. Em troca, ele recebe alimento, roupa entre outras coisa para suprir as necessidades do dia a dia. Salário, por enquanto, não. Elson ressalta que o ex-jogador precisa de um profundo tratamento contra o alcoolismo. "O Mão de Onça é um sujeito pacifico, não dá trabalho em nada. Pelo contrário. Nos ajuda em muito, principalmente na motivação ao elenco de jogadores. Ele resenha com a garotada, contando suas histórias de quando era jogador. Mas precisa se tratar contra o álcool", destaca o dirigente, que proíbe o ídolo de consumir bebida alcoólica no CT.

A condição é para que o mesmo fique o maior tempo possível sem colocar um pingo de álcool na boca. De acordo com o vice-presidente tricolor, o ex-goleiro precisa urgentemente de uma cirurgia para retirada de uma grande hérnia localizada no órgão genital. Para passar pelo procedimento cirúrgico, Mão tem que ficar pelo menos dois meses sem ingerir nada que contenha álcool. "O tratamento de hérnia passa pelo não consumo de álcool. Nos últimos dias ele não tem bebido nada. É um sinal de que ele quer vencer essa batalha contra o alcoolismo e voltar a viver", frisa o dirigente.