Esportes

Jogadores do Cuiabá Esporte Clube aderem a protestos antirracistas

Geralmente avessos a opiniões políticas, seja pelo pouco envolvimento ou por necessidades contratuais, os jogadores de futebol não se eximiram de opinar contundentemente e de ingressar nas campanhas contra o racismo, que se intensificaram em todo o mundo após o assassinato do segurança George Floyd, sufocado pelo policial Derek Chauvin sob o olhar de outros três policiais e de protestos de moradores de Minneapolis, nos Estados Unidos. Em Mato Grosso, atletas do Cuiabá, com maior visibilidade nas redes sociais, puxam a fila e expõem as opiniões.

O jogador mais engajado na campanha é o atacante Maxwell, artilheiro do Cuiabá com nove gols anotados em nove partidas disputadas. Mais do que as diversas postagens, ele contou ao Só Notícias que o tema é muito sensível a ele, pois “além de familiares, eu tenho vários amigos que também são negros e são muito especiais” e enfatizou o “nojo” que sente pelo racismo.

“Sobre política eu procuro não me envolver e opinar mesmo, mas em relação ao racismo é muito difícil não me envolver, é uma coisa que me toca muito, minha esposa é negra, meu pai é negro, meu irmão é negro e eu só consigo imaginar esse ato acontecendo com eles, e isso me dói bastante. Eu tenho orgulho da cor negra e me enoja o ato de racismo”, completou o artilheiro.

O zagueiro e capitão do Dourado, Anderson Conceição, que, eventualmente, se posiciona politicamente, entrou na campanha e postou foto de uma corrente formada com mãos de todas as cores para mostrar apoio à causa e postou a hashtag #blacklivesmatter, para dizer que todas vidas importam.

Os meias Rafael Gava e Rafael Silva também fizeram manifestações antirracistas. Silva postou foto preta no feed das suas redes sociais com a hashtag #BlackOutTuesday, para simbolizar o apagão das redes, e Gava deu voz à hashtag #BLM, para, também, dizer que vidas negas importam.

Naturalmente o tema desperta interesse e revolta nos atletas. Apesar de o futebol ser área fértil para o sucesso de jogadores negros dentro de campo, o racismo continua impregnado no meio. Um levantamento feito pelo site Globo Esporte e divulgado em novembro do ano passado mostra que 48,1%, quase metade, dos jogadores dos 60 clubes que disputaram as séries A, B e C do Campeonato Brasileiro foram vítimas de algum ato de racismo no futebol.

Só Notícias/Marco Stamm