A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) conquistou o primeiro lugar no evento final do projeto “Conexão para Inovação em Mato Grosso: Sistemas Agroalimentares Sustentáveis”. A proposta vencedora “Extrato foliar encapsulado”, coordenada pela professora Juliana Garlet, do câmpus de Alta Floresta (300 quilômetros de Sinop), desenvolveu um extrato foliar encapsulado da planta Apeiba tibourbou para o controle da lagarta Spodoptera frugiperda, praga que atinge severamente cultivos agrícolas e florestais.
O encontro ocorreu ontem à noite, no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), em Cuiabá. O projeto é uma cooperação estratégica liderada pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), financiada por emendas parlamentares e voltada à integração entre as Instituições Públicas de Ensino Superior (Ipes) e o setor produtivo.
A solução apresentada pela equipe da doutora Juliana Garlet (composta pelas acadêmicas Laís Julian Borges da Fonseca, Karen Bruna Nascimento Pinto, Letícia Davi e Cauane Caroline Cervini Pelizzar) foca na redução de perdas produtivas e na diminuição da contaminação ambiental. Ao encapsular compostos botânicos, a pesquisa aumenta a eficiência do manejo de pragas de forma acessível ao produtor. Garlet destaca que o diferencial reside no equilíbrio entre produtividade e preservação. “A principal vantagem é ser um bioinseticida renovável, menos tóxico ao meio ambiente. Com o encapsulamento, conseguimos aumentar a eficiência da solução no campo”, afirmou Garlet.
Além do reconhecimento acadêmico, o projeto receberá aporte financeiro. O senador Wellington Fagundes anunciou, durante a cerimônia, o destino de emendas parlamentares para as três melhores propostas do evento, visando garantir que as pesquisas saiam dos laboratórios e cheguem à aplicação prática no campo.
Outro destaque da Unemat no evento foi o projeto “Do bagaço ao lucro”, sob orientação do professor doutor Diones Krinski, do câmpus de Tangará da Serra. A equipe, formada pelos alunos Érica Maria da Silva, Matheus da Costa Antônio, Witor Ryan Silva Alves e William Cardoso Nunes, desenvolveu um método simplificado para a extração de óleos essenciais a partir de resíduos de frutas cítricas, como cascas e bagaços de laranja e limão.
Segundo Krinski, a tecnologia permite que subprodutos frequentemente descartados por pequenas agroindústrias sejam transformados em insumos de alto valor agregado para os setores de cosméticos e aromaterapia. “O método propõe um fluxo diferenciado que pode ser levado inclusive para o campo”, destacou o professor.
As propostas da Unemat foram selecionadas previamente via edital e passaram por um processo de aceleração. Como premiação pela performance no evento, os projetos agora entram na “Trilha do Sebrae Mato Grosso” e serão incubados pelo AgriHub, o hub de inovação do Sistema Famato.
O diretor da Agência de Inovação (Aginov) da Unemat, Fernando Selleri, explica que esse acompanhamento é fundamental para transformar as ideias científicas em produtos viáveis comercialmente ou em novos modelos de negócio. “O processo de incubação no AgriHub conectará os pesquisadores diretamente com mentores e investidores, adaptando as tecnologias à realidade do agronegócio de Mato Grosso”.
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