Os trabalhadores da construção civil de Mato Grosso terão reajuste salarial, aumento no valor do benefício por assiduidade e manutenção de direitos como café da manhã e almoço fornecidos pelas empresas nos canteiros de obras, informou, ao Só Notícias, Vilmar Galvão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário da região Norte de Mato Grosso (Siticom). O acordo foi fechado, em Cuiabá, entre representantes dos sindicatos laborais e patronais em rodada de negociações coletivas para o termo aditivo da convenção coletiva para este ano e 2027.
Ficou definido que os pisos salariais da categoria receberão reajuste de 6,79%, mesmo percentual aplicado ao salário mínimo nacional. O menor piso da categoria, destinado a serventes e ajudantes, passou para R$ 1,89 mil, enquanto funções como almoxarife e profissionais especializados, entre eles pedreiros, carpinteiros, armadores e pintores, terão piso de R$ 2,5 mil. O piso para encarregados foi fixado em R$ 3,4 mil.
Para os trabalhadores que recebem acima do piso salarial, o reajuste será de 5%. Já aqueles com salários superiores a R$ 7 mil terão acréscimo fixo de R$ 350 mensais.
Outro avanço foi o aumento do benefício de assiduidade, pago aos trabalhadores que não registrarem faltas injustificadas durante o mês. O valor passou de R$ 110 para R$ 185. O benefício poderá ser pago em folha salarial ou por meio de cartão benefício e não será incorporado ao salário para efeitos trabalhistas.
Vilmar ressaltou que as negociações ocorreram em um momento de forte expansão do setor no Estado e especialmente em Sinop, impulsionado pelo aquecimento do mercado imobiliário, ampliação do crédito habitacional e retomada de programas federais de habitação. “O setor está vivendo um dos melhores momentos. A construção civil está no auge. Você vê a cidade crescendo de forma impressionante, com novos loteamentos, prédios e conjuntos habitacionais surgindo a todo momento”, afirmou.
Galvão explicou que a principal preocupação do sindicato era impedir que os salários da construção civil perdessem poder de compra em relação ao salário mínimo. “Se não repassássemos pelo menos o mesmo índice do mínimo para o piso da categoria, começaríamos a ter uma redução salarial na prática. O objetivo foi manter esse equilíbrio”, afirmou.
Além dos reajustes, foram mantidas cláusulas já previstas na convenção coletiva, como a obrigatoriedade de fornecimento de café da manhã e almoço pelas empresas que possuam pelo menos 10 funcionários em obra. Segundo Galvão, esses benefícios ajudam a complementar a renda dos trabalhadores e contribuem para tornar a atividade mais atrativa diante da escassez de mão de obra no setor. “O trabalhador tem o salário, a assiduidade e a alimentação fornecida pela empresa. Tudo isso ajuda a equilibrar o poder de compra e melhora as condições de trabalho”, destacou.
Ainda de acordo com ele, a geração recorde de empregos em Mato Grosso também contribui para o aquecimento do setor. “Hoje temos uma das menores taxas de desemprego da história. Isso fortalece a economia e aumenta a demanda por moradia”, avaliou.
Os reajustes serão pagos retroativamente à data-base da categoria, em 1º de maio deste ano, devendo as empresas efetuar os pagamentos em até 30 dias após a homologação da convenção coletiva, com possibilidade de inclusão dos valores na folha do próximo mês. A negociação tem validade para todo o território mato-grossense, incluindo municípios que não possuem sindicato próprio da categoria.
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