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Nortão: série de pesquisas do Memorial da Floresta entra na reta final

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A série de viagens que tem o objetivo de levantar dados históricos sobre o setor de base florestal do Estado entrou em sua fase final. Nesta semana a equipe do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte do Estado de Mato Grosso (Sindusmad) está no sul do Estado e, em seguida, faz o levantamento histórico em São José do Rio Claro (299 km de Cuiabá), depois em Sorriso e Vera, encerrando assim o ciclo de visitas a todos os sindicatos patronais madeireiros e algumas cidades de suas áreas de influência. O resultado dessas pesquisas será utilizado na elaboração do projeto Memorial da Floresta, que será inaugurado este mês, em Sinop.

O projeto Memorial da Floresta, idealizado pelo presidente do Sindusmad, José Eduardo Pinto, tem como objetivo elaborar uma exposição itinerante mostrando os benefícios da floresta como a madeira, perfumes, biojóias, lenha, cavaco, dentre outros. Além da mostra, o memorial fará o resgate histórico da indústria madeireira no Estado e também contará com duas salas de aula, que serão utilizadas para educação ambiental.

A obra já está em andamento, ao lado da sede do Sindusmad e contém dois blocos. No térreo serão instalados auditório, recepção e cozinha. No nível superior, um mezanino para abrigar a exposição histórica.

Na segunda fase do levantamento de dados a expedição conheceu, em Alta Floresta, a família De Carli, pioneira da indústria madeireira na cidade. Os irmãos De Carli chegaram à região em 1.976, vindos do Estado de Santa Catarina, onde já trabalhavam com a atividade madeireira. Na época, o Projeto de Colonização Indeco oferecia vantagens para quem adquirisse terrenos em Alta Floresta. Conta Jairo De Carli, primeiro madeireiro a se instalar em Alta Floresta, com o irmão Décio, que a Colonizadora Indeco buscava empresas para ajudar na construção da cidade e a madeireira seria uma das empresas que poderiam auxiliar no projeto de implantação de pontes e construção de casas. "Quando chegamos aqui não tinha nenhuma casa construída. Os acampamentos eram de lona e bambu", recorda De Carli ao observar que a colonizadora adquiria toda a produção de sua madeireira para a construção de casas, pontes e escolas.

Na época, segundo De Carli, um dos principais problemas encontrados em Alta Floresta era a falta de mão-de-obra, já que todas as pessoas que já estavam ali tinham como finalidade trabalhar por conta própria. Café, cacau, guaraná e garimpo atraíram milhares de pessoas à Alta Floresta no início da década de 1.980.

Na região de Porto dos Gaúchos a atividade madeireira teve início em 1.954, com a colonização de gaúchos de Santa Rosa liderados pela Colonizadora Conomali, dirigida por Guilherme Meyer, cumprindo as metas da Marcha para o Oeste, proposta pelo governo federal no período. A primeira madeireira da cidade foi construída nas proximidades do Rio Arinos para fornecer madeiras para a construção de casas e pontes na cidade.

Em Tabaporã a atividade madeireira chegou no início da década de 1.980. Um dos primeiros a investir no setor de base florestal foi o atual prefeito, Edison Rosso, que implantou a indústria em maio de 1.986.

No mesmo ano a família Zanfonatto foi para o extremo norte do Estado, em Matupá, para trabalhar no setor de base florestal. O atual prefeito da cidade, Fernando Zanfonatto conta que, quando sua família decidiu se mudar do Paraná para Mato Grosso já tinha o objetivo de trabalhar com projetos de manejo florestal sustentável. Se estabeleceram como a segunda serraria a ser implantada na cidade. Em seguida, instalaram a primeira madeireira em Guarantã do Norte. Conta que a principal dificuldade da época era a contratação de mão-de-obra. Acompanhou a equipe nas entrevistas em Guarantã do Norte e Matupá, o empresário e presidente do Sindiflora (sindicato patronal madeireiro da região), José Roberto Dada.

Já em Marcelância a atividade madeireira teve início com Ardelino Rebeschini, também primeiro morador da cidade, chegando à localidade em 1.978, vindo de Xanxerê (SC). "Foi muito sofrido no início. Fui convidado pelo colonizador José Bianchini para conhecer a região", disse ao recordar que em seguida sobrevoaram a então Gleba Maicá. Depois disso o então agropecuarista mudou a atividade por mais de uma década. Atualmente dedica os negócios, novamente, à agropecuária.

No caso da cidade de Claudia, os Maldonado é que implantaram a atividade madeireira. Antonio Maldonado, conhecido como ‘Bananinha" é o precursor dessa história. A esposa, Roseli de Paula Maldonado, foi a primeira professora da cidade. O estímulo para extrair madeiras, nesse caso, foi além da construção de casas, pois a professora incentivou o marido a serrar madeiras para a construção de escolas. Em março de 1.979 foi inaugurada a primeira unidade escolar, com sete alunos, comandados pela professora Roseli.

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