Economia

Junho tem maior saldo comercial da história

Com um resultado de US$ 4,031 bilhões, o saldo da balança comercial em junho alcançou o melhor desempenho mensal da história do comércio exterior. As exportações no período superaram pela primeira vez a barreira de US$ 10 bilhões. Junho também foi o quarto mês consecutivo em que as exportações ultrapassam os US$ 9 bilhões.

“No segundo semestre deste ano, a média mensal deve ficar em US$ 10 bilhões”, comemorou ontem o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), durante divulgação do resultado da balança comercial em São Paulo.

Essa combinação de resultados positivos no primeiro semestre permitiu que o superávit comercial nos primeiros seis meses deste ano ficasse em US$ 19,671 bilhões, o que torna mais possível que a meta anual de US$ 30 bilhões estabelecida pelo BC seja superada. Os analistas já projetam um superávit de US$ 35 bilhões.

A corrente de comércio (importações mais exportações) chegou a US$ 87,6 bilhões, um valor 22,4% superior ao registrado nos primeiros seis meses de 2004. No acumulado de 12 meses, a corrente alcançou US$ 175 bilhões. De acordo com o ministério, esse indicador nunca havia superado a marca de US$ 175 bilhões em igual período.

Produtos

O vigor das exportações brasileiras pode ser atribuído ao resultado das vendas externas de produtos manufaturados e semimanufaturados. No caso dos manufaturados, um dos destaques foi o segmento de telefones celulares, que teve um crescimento de 124,2%, em dólares, na comparação entre os primeiros meses deste ano contra o mesmo período de 2004.

No grupo dos semimanufaturados, ferro fundido e açúcar em bruto –com taxas de crescimento no semestre de 182% e 106,4%, respectivamente–, foram os principais produtos. Já o complexo soja, tradicional líder da pauta de exportação, teve declínio. As vendas externas de soja em grão caíram 20,2%, e as de farelo de soja, 22%. “Essa redução reflete a quebra da safra e também preços internacionais mais baixos”, disse o ministro Furlan.

Impacto cambial

Por causa do real forte, segundo a AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), entre janeiro e maio deste ano houve uma redução de 8,8% no número de empresas exportadoras de pequeno e médio porte.

Mas os picos históricos da balança comercial no primeiro semestre contrariam as expectativas dos analistas de comércio exterior e mesmo dos próprios exportadores, que previam uma diminuição do ritmo de vendas externas por causa da apreciação do real.

As explicações para a manutenção do dinamismo exportador são várias. No caso das empresas de grande porte, mesmo com perda de rentabilidade, elas optam por se manter no mercado internacional para não perder a clientela já conquistada no exterior. Em alguns setores, como automóveis, por exemplo, os contratos são de longo prazo. Há também casos nos quais as vendas que são contabilizadas na balança no semestre passado são resultado de contratos realizados há um ano.

Furlan, entretanto, reconheceu que o câmbio tem sido desfavorável para os setores calçadista e têxtil. “Há uma forte preocupação com esses setores. A taxa de câmbio desestimula setores intensivos em mão-de-obra”, disse ele.

Na avaliação do ministro, também há outros setores que podem ser comprometidos. “Já começamos a sentir algum impacto do câmbio no setor automotivo”, avaliou.