Economia

Custo do transporte é o principal entrave às exportações e presidente da Fiemt critica tarifas

O alto custo do transporte é o principal entrave enfrentado por empresas da região Centro-Oeste que operam no comércio exterior. Esse fator, que pondera o transporte desde a empresa até o ponto de saída do país, é considerado muito impactante por 73,9% das exportadoras, numa escala de criticidade que vai de um a cinco. Um dos fatores por trás desse diagnóstico é o problema logístico de escoamento da produção agroindustrial. O Centro-Oeste é a região mais desconectada e que possui menos oferta de serviços de transporte.

A análise consta da pesquisa “Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras” de 2018, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O estudo, o maior realizado no Brasil, ouviu 589 empresas exportadoras e apresenta um raio-X dos problemas que os empresários brasileiros enfrentam para poder vender bens e serviços para o exterior.

Para facilitar uma visão mais agregada dos problemas enfrentados pelos exportadores, a pesquisa agrupou os problemas citados pelas empresas em oito categorias. Os entraves foram divididos em macroeconômicos; institucionais e legais; burocráticos, alfandegários e aduaneiros; acesso a mercados externos; tributários; mercadológicos e de promoção de negócios; logísticos; e internos às empresas.

Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Sistema Fiemt), Gustavo de Oliveira, a pesquisa mostra que os exportadores brasileiros têm muitas dificuldades para atingir o mercado externo principalmente pelo alto custo logístico de toda a cadeia de exportação. “Isso passa pelo fato de que a imensa maioria das empresas, mais de 90% das pesquisadas, utilizam o modal rodoviário, que possui um custo muito maior, até os gargalos logísticos como os portos e aeroportos que têm uma capacidade de operação insuficiente, limitada e ainda cobram altíssimas tarifas. Então, a precariedade dessa estrutura logística para exportação tanto nos meios de transporte quanto nos terminais exportadores apresentam um grande grau de restrição”, avalia Oliveira.

Na sequência, os entraves considerados mais críticos para as empresas na região são leis conflituosas, complexas e pouco efetivas (62,2%), proliferação de leis, normas e regulamentos de forma descentralizada (60,9%), elevadas tarifas cobradas por portos e aeroportos (59,7%) e elevadas tarifas cobradas por outros órgãos anuentes (59,6%). O presidente do Sistema Fiemt reforça que as questões burocráticas, principalmente na área tributária, criam custos adicionais de exportação.

“Nós temos muitas tarifas de importação nos países de destino das nossas mercadorias. Então, alguma competitividade que se ganhe no processo produtivo acaba ficando perdido com a ineficiência que é causada com a complexidade tributária aqui no Brasil, por barreiras tributárias e alfandegárias nos países de destino, que fazem com que haja uma dificuldade de contornar esse problema financeiro”, acrescenta o presidente.

De acordo com o estudo, a quantidade de exportadores que se consideram afetados pela capacidade governamental de promover o acesso a mercados externos e pela abrangência dos acordos comerciais existentes é de, respectivamente, 50,5% e 43,9% no Centro-Oeste. E, ainda, mais de 20% das empresas localizadas na região querem ampliar o volume de vendas atual ou estabelecer novas relações comerciais com a China.

“Podemos notar que, embora a China seja um grande destino do ponto de vista do desejo do exportador brasileiro em todos os segmentos, os principais destinos ainda são Estados Unidos, Argentina e os países vizinhos como Paraguai, Chile, Colômbia e Bolívia. Então, o país precisa aumentar essa pauta bilateral com a China, Índia, México e outros países que possam absorver os nossos produtos e onde existem demandas por produtos brasileiros”.

As empresas de micro, pequeno e médio porte são 77,2% dos exportadores brasileiros representados na pesquisa. Segundo o Serviço de Estatística da União Europeia, o Eurostat, utilizada como parâmetro, companhias que empregam de 1 a 49 funcionários são consideradas micro e pequenas empresas. As empresas de médio porte possuem entre 50 e 250 empregados, e as grandes empresas têm 250 ou mais funcionários.

A pesquisa foi com donos de 589 empresas exportadoras e apresentou um raio-X dos problemas que os empresários brasileiros enfrentam para poder vender bens e serviços para o exterior. A maioria das empresas atua no comércio exterior há mais de 10 anos, o que revela a persistência dos problemas apontados por elas.

A informação é da agência CNI.

 

Só Notícias (foto: assessoria/arquivo)