Economia

Bienal da Agricultura será divulgada em Sinop durante a 21ª Exponop

Diante do cenário de crise no agronegócio brasileiro, é preciso buscar novos caminhos. Com foco na criatividade e no empreendedorismo, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MT) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (Sebrae/MT) promovem a Bienal dos Negócios da Agricultura, de 24 a 26 de agosto de 2005, em Cuiabá, Mato Grosso. O evento estará sendo divulgado em Sinop durante a Exponop, de 04 a 12 de junho.

Depois de cinco anos de forte expansão, o produtor rural se depara agora com uma série de desafios. A quebra da safra 2004/2005, estimada pela Conab em 18,2 milhões de toneladas, é reflexo de diversos problemas: estiagem, taxa
de câmbio desfavorável, aumento dos custos de produção e incidência de doenças como a ferrugem asiática.

Além disso, o setor convive com problemas crônicos, o chamado “Custo Brasil”: dificuldades para escoamento da safra por estradas em péssimas condições, logística ineficiente de portos, elevada taxa de juros, alta
carga tributária e inadequada ao meio rural.

“Esse quadro complexo pega o produtor no início de um processo de forte expansão, em que os investimentos não amadureceram e, portanto, podem comprometer a capacidade de pagamento do setor. A utilização correta das ferramentas de gestão será o diferencial a ser aplicado por aqueles que
poderão reverter o quadro”, expõe o coordenador do evento, Alexander Estermann.

Foi-se a época em que o produtor rural era mero fornecedor. Desde 1990, a área plantada de soja no país, por exemplo, cresceu 229% – passando de 9,7 milhões de hectares para 22,3 milhões de hectares. O crescente aumento da
produção trouxe competitividade e novos paradigmas para o campo. “Com um mercado entrando em equilíbrio, você tem que passar a ser também vendedor”, observa a superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), Rosimeire Cristina dos Santos.

A Bienal surge com uma proposta arrojada: discutir estratégias de gestão, riscos e oportunidades do agronegócio reunindo um público estimado de 3 mil
pessoas. “Precisamos agregar valor à produção e isso irá exigir do produtor rural o estabelecimento de alianças estratégicas, o cooperativismo, o associativismo e a formação de consórcios”, afirma o presidente da Famato,
Homero Pereira.

Estrutura da Bienal:
O evento utilizará 11,2 mil m² do Centro de Eventos Pantanal em 11 espaços diferentes: salão do conhecimento, salão do relacionamento, vitrine tecnológica, clínica tecnológica, mostra de oportunidades para a agricultura
familiar, espaço mulher, espaço da criança, espaço do futuro, cyber café, business center e salão cultural.

O participante terá 50 opções de palestras (tanto macro quanto setoriais), poderá interagir com outros agentes da cadeia no espaço de expositores, conhecer as novas tecnologias e tirar dúvidas com especialistas.

Assim como a visão de negócio é cada vez mais necessária ao produtor, a preocupação com o meio ambiente e a responsabilidade social são pré-requisitos para garantir a sustentabilidade do mercado. É essa visão de futuro que a Bienal propõe ao incluir dois novos sistemas produtivos na
programação do evento: o reflorestamento e a bioenergia (álcool e biodiesel).

Por quê Mato Grosso? – A agricultura movimenta US$ 6 bilhões no custeio de cada safra mato-grossense e emprega diretamente 34% da População Economicamente Ativa
(PEA) do Estado. Em uma década, a área plantada cresceu 159% e a produção das principais culturas, 218%. A produção estadual responde por 20% dos grãos e fibras produzidos no país.

O reflexo surgiu diretamente no Produto Interno Bruto (PIB), que teve um incremento de 245% no período. Tudo isso não teria sido possível sem tecnologia. As terras de Mato Grosso começaram a ser valorizadas a partir da
descoberta de soluções para os problemas de baixa fertilidade e acidez do solo.

Assim, de recurso natural, o solo passou a capital construído com o uso intensivo de tecnologia que, aliado às descobertas de novas variedades de sementes, permitiu que o Estado conquistasse o lugar de maior produtor de soja e algodão e detentor do maior rebanho bovino do país.

E é no berço do agronegócio brasileiro que os organizadores pretendem reunir na Bienal dos Negócios da Agricultura os diversos agentes da cadeia produtiva, do pequeno ao grande produtor, fornecedores de insumos, de máquinas e implementos, indústrias de processamento e agentes de mercado para olhar para o futuro e conseguir superar os desafios do presente.