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Aprosoja lança na Norte Show em Sinop ‘Movimento MT Forte’ cobrando extinção do Fethab sobre o milho

A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja) lançou, esta manhã, durante a abertura da segunda edição da feira tecnológica Norte Show, no parque de exposições da Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso (Acrinorte) o movimento “Movimento Mato Grosso Forte – Quem paga imposto cobra resultado”. Nos próximos dias produtores serão mobilizados para debater o imposto e no dia 15 do próximo mês terá um manifesto em frente ao Palácio Paiaguás, em Cuiabá. Segundo a Aprosoja, o Fethab sobre o milho é  3% do valor da UPF por tonelada transportada, o que hoje equivale a R$ 4,16. Caso o produto tenha como destino o mercado externo, a alíquota dobra, passando para 6% (R$ 8,32) por tonelada. O coordenador da ação e vice-presidente da Aprosoja, Fernando Cadore disse, em entrevista, ao Só Notícias, que o objetivo é extinguir a cobrança do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) sobre o milho.

“A indignação dos nossos produtores é com a tributação do milho, que não comporta em Mato Grosso. Vendemos pela metade de preço dos Estados concorrentes. De cada 10 anos no mínimo 4 busca-se auxílio pecuniário. O governo mesmo assim trouxe esse tributo que inviabiliza a cultura em algumas regiões de Mato Grosso. Por isso, a Aprosoja está acampando esse pedido da base e fazendo o movimento. Nós estamos pleiteando a extinção do Fethab do milho e que se use os outros dois para infraestrutura. Não temos estradas e logística precária. Estamos no centro do Brasil, produzimos quase que no milagre e existe uma tributação específica que é totalmente desviada. O produtor cansou de pagar e não ter retorno. Nós queremos uma gestão eficiente e que aplique os recursos sejam aplicados corretamente. Essa não é apenas uma luta do produtor, mas de toda a população”, explicou.

Para o presidente da Aprosoja, Antônio Galvan, a produção de milho em Mato Grosso praticamente não dá rentabilidade para o produtor. “Então não tem lógica cobrar mais imposto. É uma aberração o que estão fazendo. Nós estávamos investido em um produto tirando pequena parte para colocar na ferrovia, mas infelizmente o governador (Mauro Mendes) copiou nossa ideia e transformou isso em importo. Essa é a grande revolta do produtor rural. Queremos a retirada imediata”.

Ainda segundo Galvan, é necessária uma política mais eficaz com a aplicação do Fethab que já é cobrado. “A partir de 2020 queremos que todo o valor do Fethab arrecadado, que deve dar em média de R$ 1,3 bilhão, sejam investidos 100% na infraestrutura no Estado. Se não ocorresse desvio do recurso do Fethab, em poucos anos, Mato Grosso se transformaria em uma potência muito grande. Os americanos ficam abismados quando descobrem a forma que fazemos para transportar nossa produção por essas estradas completamente destruídas”.

Na última safra a produtividade média dos milharais ficou em 99,6 sacas por hectare, por exemplo. Caso a cobrança do Fethab já fosse feita naquela época, o custo da “contribuição” seria de R$ 49,80 por hectare. Numa comparação simples, este valor representa metade do que geralmente é gasto com a compra de inseticidas para proteger a lavoura do ataque de pragas.

Só Notícias/Cleber Romero (fotos: Só Notícias/Guilherme Kalvin)