O levantamento feito pela Polícia Civil aponta que entre os meses de janeiro a junho foram registrados 16,285 ocorrências. Destas, 833 houve participação direta de menores. Os principias crimes são tráfico de drogas e furtos(102 registros), uso de drogas (74), ocorrências de natureza diversas (63), ameaça (50), associação para o tráfico (48), lesão corporal (46), direção perigosa de veículos (26) e receptação de objetos (23). Os dados foram confirmados pelo delegado Regional de Polícia Civil, Sérgio Ribeiro, ao Só Notícias.
“Esses dados ainda não foram consolidados. Porém, é um número considerável de adolescente envolvidos em ocorrências policiais. Ainda podemos afirmar que a maior parte dos crimes cometidos em Sinop é por pessoas adultas. O problema é que as vezes ocorre utilização dos adolescentes para prática de tráfico de drogas, por exemplo. Eles utilizam os adolescentes como mula, em roubos porque a punição é mais branda. Esses números de ocorrências já justifica uma punição maior desses menores infratores”.
Ainda de acordo com o delegado, a falta de punição contribuí para o aumento no envolvimento de menores com a criminalidade. “Nós temos em média 100 ocorrências envolvendo menor infrator com tráfico de drogas. Se não existe punição enquanto menor, ele aprende que existe consequências. Nós temos que ter uma punição mais severa para os adolescente infratores. O estatuto do adolescente foi previsto para uma realidade que não é nossa. A impunidade tem gerado muito mais crimes. Isso não é exclusividade de Sinop e ocorre me todo o país. A brandura da legislação gera impunidade, e com isso, ocorre novos crimes”.
De acordo com Ribeiro, a construção de um Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) amenizaria o envolvimento de menores em crimes. “A construção de um centro socioeducativo melhoraria essa situação. Atualmente não temos espaço para recolher adolescente infrator. É um assunto instigante e precisa ser debatido. Nós criamos uma fantasiosa realidade que desigualdade social motiva o cometimento de crimes. Isso não é real e não gera 1% dos crimes. O que gera crimes é a impunidade. Se tivéssemos um socioeducativo, que pudesse socializar esses adolescentes não haveria tantos crimes na nossa cidade”.
Conforme Só Notícias já informou, a gerente da unidade de atendimento socioeducativo de Sinop, Polhana Carla Dutra confirmou, que a documentação do processo burocrático de doação do terreno para construção do Centro de Atendimento Socioeducativo (CASE) para adolescentes já foi entregue, pela prefeitura, e repassada para secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos, que aguarda aprovação de um projeto pela Assembleia Legislativa, regulamentado o recebimento da área doada ao Estado. Porém, até o momento, não houve um posicionamento do andamento deste procedimento.
O centro terá aproximadamente 40 vagas, divididas em unidade de atendimento inicial e definitiva entre outras. Objetivo da unidade será desenvolver, com os menores infratores, ações na área da saúde, escolarização e profissionalização, além de práticas de esportes e lazer. Ainda não existe uma previsão do valor que será investido.


