
A intenção é juntar dez mil pessoas na praça Ipiranga, no centro na capital, às 15h. Vão parar médicos, dentistas, enfermeiros, motoristas de ônibus, bancários, professores, funcionários da CAB e dos Correios, além de 32 categorias de servidores públicos. Taxistas decidem nesta tarde se aderem ou não à greve. Nas escolas privadas, professores de pelos 20 delas também vão cruzar os braços.
A greve é contra a reforma Trabalhista, aprovada ontem no Congresso Nacional e encaminhada ao Senado, e também contra a reforma da Previdência, ainda em trâmite no Congresso.
Centrais sindicais e sindicatos, o movimento estudantil e de sem-terra entendem que essas reformas, como elas estão postas, prejudicam o trabalhador e retiram direitos historicamente conquistados, como o 13º salário.
Outra crítica é direcionada à legalização das terceirizações. "Precarizam as relações de trabalho", ressalta o bancário João Dourado, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Segundo ele, o terceirizado recebe salários menores por jornadas mais extensas.
Segundo o sindicalista, no comando de greve todos estão surpresos com "a dimensão que este protesto está tomando".
Sobre o risco de demissão e corte de ponto, ele assegura aos que ainda estão em dúvida se aderem ou não à paralisação por medo que "antes isso do que perder direitos históricos". Na visão dele, se todos aderirem, "não tem como demitir ou punir todo mundo".
"Faça greve e vá ao ato, com seu esposo, esposa, seu filho, é uma manifestação pacífica, de trabalhadores, contra manobras parlamentares que atingem principalmente famílias de classe média e baixa", diz João Dourado.
Ele destaca que, ao contrário do que estão divulgando erroneamente nas redes sociais, este ato é sim contra a corrupção, porque, segundo ele, esta não é uma bandeira de apenas um grupo de brasileiros mas sim de todos que querem mudanças.
"Boa parte desses que estão votando contra nossos direitos foram citados na operação Lava Jato".


