O Partido da República em Mato Grosso decidiu exigir da direção nacional do partido que contrate uma auditoria independente com apuração técnica e jurídica dos resultados apontados pela CGU que apontou para a analise de 17 processos de licitações e contratos e constatou 66 irregularidades, que apontam prejuízo potencial de R$ 682 milhões, em um total de R$ 5,1 bilhões fiscalizados.
Os levantamentos foram determinados pela presidente da República, após denúncias da imprensa de cobrança de “propina” para a execução de obras. As denuncias atingiram em cheio o então ministro dos Transportes, o senador Alfredo Nascimento e o presidente do Dnit na época, Luiz Antônio Pagot que foi indicado por Mato Grosso para ocupar o cargo no qual se encontrava desde 2007.
No relatório de 23 páginas da CGU divulgado no decorrer desta semana, são tratados contratos que em 90% foram anteriores a gestão de Luiz Antônio Pagot, ou seja, foram contratados e executados por Mauro Barbosa, indicado pelo PMDB e que ocupava a chefia de gabinete do Ministério dos Transportes e também foi exonerado.
Um deputado estadual de Mato Grosso sinalizou que a decisão de se contratar uma auditoria independente e até mesmo internacional foi tomada em reunião do partido, mas que depois preferiu solicitar que a mesma seja feita via o PR nacional para convalidar não apenas a situação de Pagot, mas também do então ministro, hoje senador Alfredo Nascimento.
Em que pese a maioria considerar que o relatório da CGU não apontou responsáveis e tentou manter entre servidores as falhas, o partido não quer levar para as hostes partidárias o ônus de ser apontado como protagonista de corrupção no Poder Público Federal. “Fomos defestrados da administração federal sem que existe nenhuma prova de qualquer irregularidade e isto não pode ser mantido como está”, disse o parlamentar estadual, lembrando que o partido em Mato Grosso quer e vai exigir a apuração completa do caso que remete para a gestão anterior, ou seja, o governo do presidente Lula.
O ex-diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot em recente entrevista a Folha de São Paulo, reclamou do tratamento que lhe foi dado em relação ao Governo Federal e negou qualquer intenção em sua vida profissional de voltar a assumir um cargo público, convicto de que não fez nada de erra e não poderia ser punido pelo tal. Pagot deixou nas entrelinhas da entrevista que a demissão foi política e para acomodação dentro das forças de apoio do governo federal.
No decorrer desta semana o presidente do PR em Mato Grosso, deputado Wellington Fagundes formalizará ao Diretório Nacional o pedido de contratação da auditoria independente para apuração dos fatos e para um contraponto no relatório da CGU que se manifestou tecnicamente a respeito de potencial prejuízos, ou seja, podem ou não existir os referidos prejuízos e favorecimentos.
Outro fato que o partido quer levar em consideração é que do total de R$ 684 milhões pontencialmente apontados pela CGU, R$ 227 milhões já faziam parte de relatórios do Tribunal de Contas da União – TCU e que já estavam em fase de correção determinadas tanto pelo então ministro Alfredo Nascimento, como pelo diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot.
“Essa conta não é do PR. Não temos como pagar por algo que não fizemos. Nossa responsabilidade é perante a sociedade e não para este ou para aquele governo” , disseram os republicanos na reunião que definiu pelo pedido de auditoria independente para contestar os números do Governo Federal e da CGU.


