O tribunal do júri da Comarca de Cuiabá condenou Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa pelo homicídio do advogado Roberto Zampieri. As penas dos três somam 68 anos e nove meses de reclusão. O julgamento terminou hoje, por volta de 0h40. Os três foram condenados por homicídio qualificado, cometido por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido.
Foram mais de 38 horas de trabalho em plenário. No primeiro dia, terça-feira, os trabalhos ocorreram das 9h às 22h. Na quarta-feira (30), começaram às 9h e terminaram às 18h30. No terceiro dia, quinta-feira (1º), a sessão começou às 9h, com debates entre acusação e defesa que avançaram pela noite. O julgamento foi encerrado na madrugada de sexta-feira.
Antônio Gomes da Silva e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas receberam, cada um, a pena de 21 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão. Na definição das penas, Antônio teve reconhecida a atenuante por confessar o crime. Caçadini teve a pena atenuada por ter mais de 70 anos de idade. Hedilerson Fialho Martins Barbosa foi condenado a 25 anos de reclusão. Para ele, não foi reconhecida nenhuma atenuante. Os três réus podem recorrer da decisão, como ocorre nos julgamentos em primeiro grau.
A sessão foi presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri de Cuiabá. Atuaram na acusação os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, com o advogado Giovani Santin como assistente da acusação.
No primeiro dia, foram ouvidas seis testemunhas. Prestaram depoimento os delegados da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, o empresário José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva. O segundo dia foi dedicado aos interrogatórios dos três réus e à análise de pedidos apresentados pela defesa. No terceiro dia, após os debates entre acusação e defesa, os sete jurados votaram sobre as acusações e o juiz anunciou a sentença.
Durante a réplica, os promotores de Justiça reforçaram provas que, segundo a acusação, demonstraram a participação dos três condenados na execução do homicídio. Entre os elementos destacados esteve o rastreamento da movimentação financeira relacionada ao crime.
Conforme sustentado pelo Ministério Público, ficou comprovado o pagamento de R$ 124,2 mil antes da execução e outros R$ 60 mil após o homicídio. Segundo a acusação, os valores tiveram origem nos recursos pagos pelos apontados mandantes do crime. Também foi destacado durante os debates que, ao longo das investigações, surgiram elementos indicando que Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas teria solicitado valores entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para que ele e os demais envolvidos não entregassem os mandantes às autoridades.
Ao defender a condenação dos acusados, o promotor de Justiça Samuel Frungilo ressaltou a robustez do conjunto probatório reunido ao longo da investigação e da tramitação processual. “Eu tenho 27 anos de Ministério Público. Eu nunca vi um crime de recompensa e homicídio mercenário com tantas provas”, afirmou aos jurados.
O promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins destacou o planejamento empregado para a execução do crime e a gravidade da conduta atribuída aos acusados. “Planejaram e esperaram o melhor momento de vulnerabilidade da vítima para poder retirar o seu bem mais precioso, o direito de viver. O maior roubo que alguém pode sofrer é a interrupção do curso da sua existência”, sustentou.
Conforme a denúncia do MP, Antônio Gomes da Silva foi apontado como o autor dos disparos que mataram Roberto Zampieri. Hedilerson Fialho Martins Barbosa foi acusado de ter participado da execução do plano criminoso, inclusive com o fornecimento da arma utilizada no crime. Já Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas respondeu à acusação de integrar a empreitada criminosa.
Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese sustentada pelo Ministério Público e reconheceu a responsabilidade dos três réus pelo homicídio de Roberto Zampieri.
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