O delegado titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá, Victor Caetano, detalhou hoje, em entrevista à imprensa, sobre a Operação Fariseus, que cumpriu 27 mandados e desarticulou um esquema entre integrantes de uma mesma família que utilizavam um projeto de evangelização para ingressar na Penitenciária Central do Estado (PCE) e, supostamente, entregar celulares, carregadores e outros objetos ilícitos a lideranças custodiadas no raio de segurança máxima, além de atuar na transmissão de recados e na movimentação de dinheiro para a organização criminosa.
Segundo o delegado, a apuração começou após uma denúncia recebida pela especializada. “A investigação começa com o recebimento de uma denúncia aqui pela GCCO Draco, e aí a gente iniciou a investigação que durou mais de um ano com dados concretos e precisos que identificam conversas desses suspeitos e ligação com lideranças da facção criminosa”, disse.
Sobre a investigada presa durante a operação, o delegado afirmou que ela mantinha contato direto com um líder da facção, que está foragido. “Ela era namorada de um líder de facção, com ele preso na Penitenciária Central de Estado. Depois que esse criminoso sai em regime semiaberto e fica homiziado, enquanto isso ela mantinha o contato com essa pessoa, recebia ordens dele, fazia a distribuição de valores em espécie e mandava recados para esse criminoso foragido”, afirmou.
Questionado sobre a participação dos pais da investigada, Victor Caetano disse que eles também integrariam o esquema. “Os pais dela também faziam essa mesma participação, eles recebiam recados, eles dilapidavam valores em espécie, eles transportavam valores para outras pessoas, então eles fazem parte da organização criminosa. São pastores. Isso a gente não tem dúvida nenhuma em afirmar que eles fazem parte da organização criminosa e assim vai ser demonstrado no caderno investigativo”, declarou.
Sobre os benefícios recebidos pelos investigados, Victor Caetano afirmou que havia uma relação de troca de favores com a facção criminosa. “Eles ganhavam proteção desses membros da organização criminosa e recebiam favores, por exemplo, a presa hoje teve uma cirurgia plástica paga por um líder da facção criminosa”, afirmou.
Ao comentar o patrimônio da investigada, o delegado acrescentou que “essas pessoas participantes de esquemas de lavagem de dinheiro se beneficiam de valores em favor próprio, sem o trabalho. Então essa é uma troca de favores. Tudo que ela constrói, patrimônio, ela não trabalha, ela só tem empresa de fachada, ela faz dilapidação de valores em espécie, então os valores que ela tem, a vida que ela leva, veículos e tudo mais, tudo a gente vai concluir a investigação nesse sentido que é pago por esses integrantes de facção”.
O delegado também comentou sobre imagens obtidas durante a investigação, nas quais mostram os pais da investigada com armas, além de fotos da família com o líder da facção no Rio de Janeiro. “Essas imagens a gente consegue nas investigações, são reais. E é o que evidencia a ligação completa deles com os líderes da facção criminosa”.
Outro fato apontado pela investigação é que a mulher teria recorrido à própria facção após ser vítima de um crime patrimonial. “Ela também, em troca dessa proteção, houve aí uma situação de um crime patrimonial na residência dela. E ela identificou a pessoa e, em vez de procurar a polícia, como tem que ser feito por qualquer cidadão, ela buscou ajuda na facção criminosa, com uma pessoa ligada a eles. E aí, buscou esse “salve” que foi o que ocorreu.”
Por fim, Victor Hugo informou que as investigações seguem em andamento para a conclusão do inquérito, bem como apurar o envolvimento de mais pessoas.
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