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Festival de Cinema de Cuiabá bate recorde com 598 filmes inscritos

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Redação Só Notícias (foto: assessoria)

Criado há 33 anos, quando Cuiabá possuía apenas uma sala de cinema comercial, o 23º Festival de Cinema de Cuiabá, Cinemato, chega neste ano com novo recorde de 598 filmes inscritos de todo o país, entre curta e longa-metragem. Na edição do ano passado, houve 458 filmes inscritos em apenas nove dias. O festival, considerado um dos mais importantes espaços de difusão, formação e valorização do cinema nacional, acontece na próxima segunda-feira (29) e 5 de julho, no Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

O evento homenageia nesta edição o cineasta, dramaturgo e diretor Amauri Tangará: o migrante que abraçou o Cinema em Mato Grosso. Os filmes inscritos vieram de 26 Estados e do Distrito Federal. São Paulo lidera o número de produções enviadas, seguido pelo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Pernambuco. 

A Mostra Competitiva conta com 15 curtas e sete longas entre produções nacionais e mato-grossenses. Os vencedores receberão o tradicional Troféu Coxiponé, concedido pelo Júri Oficial e Júri Popular. Também será entregue o 2º Prêmio Dira Paes,  destinado a uma mulher mato-grossense com trajetória relevante na defesa das mulheres e do meio ambiente. A premiação leva o nome da consagrada atriz paraense Dira Paes, que possui uma forte ligação histórica com o festival e com pautas ativistas.  Ao todo, o evento  deverá exibir em torno de 50 filmes de curta e longa-Metragem. Durante as mostras competitivas, o público presente poderá escolher os melhores filmes.

Também haverá rodas de conversa e ações formativas voltadas ao fortalecimento do audiovisual brasileiro, como oficinas de Direção, Assistente de Direção, Montagem e Elenco; o Seminário “Migração, Mobilidade Urbana e Mudanças Climáticas”; encontros com realizadores; atividades culturais paralelas com Cinema Paradiso, em instituições, antecedendo a Mostra Competitiva; Cinema Escola, já na UFMT; além das Sessões Queimada Cuiabana e Melhor Idade, e o Hour Concurs.
 
A 23ª edição reverencia Amauri Tangará, um migrante nascido em Paranavaí, no Paraná, e reside em Chapada dos Guimarães. Sua atuação está profundamente ligada à cena cultural mato-grossense, tanto no cinema quanto no teatro e na formação audiovisual, ao lado da produtora Tati Mendes.

Criado em 1993 pelo doutor e cineasta Luiz Borges, inicialmente como Mostra de Cinema e Vídeo de Cuiabá, o Cinemato nasceu como um ato de resistência cultural em um período em que Cuiabá possuía apenas uma sala de cinema comercial. Ao longo de 33 anos, tornou-se referência nacional na formação de público e valorização do cinema brasileiro, revelando e premiando importantes nomes: Dira Paes, Fernando Meirelles e Hilton Lacerda.

Além de impulsionar o audiovisual mato-grossense, o evento consolidou-se como espaço de debate, formação crítica e democratização do acesso ao cinema.Também é um dos grandes nomes das artes cênicas e do audiovisual brasileiro, com mais de cinco décadas dedicadas à cultura. Roteirista, cineasta, dramaturgo, diretor teatral, ator e preparador de elenco, Amauri Tangará construiu uma trajetória marcada por obras conectadas às identidades populares e aos territórios do chamado Brasil profundo.
 
No cinema, dirigiu e roteirizou produções como A Oitava Cor do Arco-Íris, Ao Sul de Setembro, Nenhures e Um Rosto em Praga, além de co-dirigir filmes como Mata Grossa, NÓS – A Metade de Tudo e De Amor e Liberdade. Também dirigiu séries audiovisuais como O Pantanal e Outros Bichos, exibida na Amazon Prime, Pluto TV, TV Cultura e TV Brasil.
 
Além da produção artística, Amauri Tangará atua intensamente na formação de novos realizadores por meio das oficinas de cinema “O Terceiro Olhar”, realizadas na América, África e Europa, reunindo mais de 1,2 mil participantes em mais de 60 edições.
 
No teatro, soma mais de 30 espetáculos escritos, adaptados ou dirigidos, consolidando-se como uma das vozes mais inventivas da dramaturgia contemporânea brasileira. Seu trabalho rompe fronteiras regionais e transforma experiências locais em narrativas universais.

Com o tema “Migração – mobilidade humana e mudanças climáticas”, o Cinemato 2026 propõe uma reflexão sobre deslocamentos humanos, pertencimento, diversidade cultural e impactos ambientais. A proposta é utilizar o cinema como espelho do mundo contemporâneo, debatendo questões urgentes relacionadas aos refugiados climáticos, às fronteiras, às identidades culturais e aos direitos humanos. O Festival propõe compreender a migração não como problema, mas como condição humana marcada por sobrevivência, esperança, resistência e dignidade.

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