O Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem) e outros oito sindicatos do setor divulgaram nota à imprensa manifestando “perplexidade e indignação” com a informação de que o Governo do Estado estaria prestes a proibir a utilização de cavaco de madeira nativa oriunda de supressão vegetal devidamente licenciada para geração de energia.
“Em outras palavras: a mesma madeira que o próprio Estado autorizou explorar, com licenciamento, plano de manejo, taxas e fiscalização, agora não poderá ser transformada em energia limpa, em emprego e em impostos. Em pleno 2026, quando o mundo discute transição energética, bioeconomia e descarbonização, descartar milhões de toneladas de biomassa renovável é desperdiçar energia limpa, emprego e arrecadação — logo em um estado referência do agronegócio brasileiro”, afirma o documento, assinado por nove entidades do setor.
As entidades argumentam que a supressão vegetal em questão é legal, possui licença emitida pela secretaria estadual de Meio Ambiente (Sema), recolhe taxas e impostos como Fethab e Imad, e é rastreada por meio do Documento de Origem Florestal (DOF), além de garantir a compensação ambiental prevista em norma. “Ao proibir o aproveitamento, o Estado impede que uma atividade legal e legítima seja desenvolvida, provocando insegurança jurídica e instabilidade socioeconômica”, diz a nota.
Segundo as entidades, o cavaco é energia renovável que substitui combustíveis fósseis, gás e óleo BPF nas caldeiras das indústrias, reduzindo a emissão de carbono fóssil. Elas destacam ainda que o uso de energia limpa e renovável é um dos principais diferenciais das cadeias produtivas de Mato Grosso, como o etanol de milho. “Queimar resíduo a céu aberto é contrassenso. Este sim é verdadeiro retrocesso ambiental. Emite CO₂, material particulado e fuligem, sem qualquer aproveitamento energético. É justamente o que a legislação ambiental busca evitar desde os anos 1990”, pontuam.
As entidades também apontam prejuízos bilionários com a medida. Segundo a nota, só em 2024, Mato Grosso produziu 2,63 milhões de m³ de madeira nativa manejada. Desse volume, ao menos 30% vira resíduo passível de cavaco. A estimativa é de que com a proibição haverá perdas de R$ 400 milhões por ano em energia, logística e tributos, além de afetar 12 mil famílias que vivem da cadeia produtiva florestal e biomassa.
O setor também rebate a argumentação de que a floresta plantada seria suficiente para abastecer a demanda. De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), a área de cultivo em Mato Grosso é de 120 mil hectares. Só para abastecer as unidades de etanol já instaladas, são necessários 380 mil hectares, com um déficit de 260 mil hectares. O ciclo do eucalipto leva sete anos entre plantio e colheita. “Então, por que proibir a única fonte complementar legal e ambientalmente correta disponível?”, questionam.
A nota é assinada por Gleisson Omar Tagliari (presidente do Cipem), Flávio Salino Moreira (Simas), João Carlos Paulino Júnior (Simno), Carlos Roberto Torremocha (Sindilam), Fernando Zafonato (Sindiflora), Felipe Antoniolli (Sindusmad), Antônio Luís Benedet (Simava), Dioni Brezovsky Domiciano (Simenorte) e Claudinei Melo Freitas (Sindinorte).
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