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A banalização do jornalismo na era da audiência instantânea

Luan Cordeiro é bacharel em Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo, e atua como assessor de imprensa na área política.
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O anúncio de que a influenciadora Virgínia Fonseca vai trabalhar como repórter na cobertura da Copa do Mundo de 2026, na TV Globo, uma das maiores emissoras de televisão do mundo, provocou uma onda de discussões na internet. Para quem acompanha a área, esse caso não é uma surpresa, mas sim o exemplo mais recente de um debate que já vem acontecendo há algum tempo: até que ponto a busca por engajamento justifica colocar influenciadores em funções que sempre foram de jornalistas?

Quem passou quatro anos (ou mais) na graduação de jornalismo sabe exatamente o peso dessa discussão. A rotina de quem estuda comunicação costuma ser pesada, dividida entre estágios de dia e noites em claro para dar conta dos trabalhos acadêmicos. É na graduação que a gente aprende que jornalismo não se resume a quem aparece no vídeo. Existe toda uma estrutura por trás, produtores, editores, pauteiros, que faz a informação acontecer de forma correta e responsável.

Na graduação, nós somos preparados para lidar com a responsabilidade social da informação e não para criar conteúdos de entretenimento puro. Aprendemos sobre ética, técnicas de apuração e o impacto real do nosso trabalho. Afinal, uma informação errada ou mal apurada pode acabar com a reputação de alguém, causar pânico na população ou prejudicar a política de um país. Vimos a importância disso, por exemplo, na pandemia de Covid-19, quando o trabalho dos jornalistas foi essencial para trazer dados confiáveis e orientar a sociedade no meio de tantas notícias falsas.

É importante deixar claro que o objetivo aqui não é criticar os influenciadores ou os blogueiros. Eles fazem o trabalho deles muito bem, têm o direito de ocupar o espaço digital e movimentam o mercado. O ponto central é que eles são influenciadores, não repórteres. Jornalismo exige critérios técnicos e compromisso com o interesse público, algo bem diferente da lógica de engajamento da internet.

Esse problema também tem duas frentes de culpa. Primeiro, as emissoras de televisão e as empresas de mídia, que muitas vezes preferem trocar o jornalista profissional por alguém com milhões de seguidores, priorizando o lucro rápido e os cliques em vez da qualidade da informação. Segundo, os próprios jornalistas que, em alguns casos, tentam virar influenciadores e passam a se colocar antes da notícia, esquecendo que o fato é sempre mais importante do que quem o narra.

Essa troca constante do profissional técnico pelo criador de conteúdo está sucateando o jornalismo e desvalorizando a profissão. É exatamente por isso que a aprovação da PEC do Diploma se tornou tão necessária. Exigir a formação acadêmica não é uma frescura, um “mimimi” ou uma reserva de mercado, mas sim uma garantia de que a sociedade vai receber informações apuradas por quem realmente entende a responsabilidade de divulgar uma notícia.

Mudar formatos e tentar atrair um público mais jovem é compreensível e até necessário. Porém, o limite para isso deve ser o respeito à profissão. A busca por audiência rápida não pode passar por cima da responsabilidade que o jornalismo exige. A credibilidade do nosso trabalho não depende de curtidas, mas sim do compromisso com a verdade.

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