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Estudo liderado pela Unemat alerta para colapso do Cerrado e perda de 24 bilhões de árvores

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Redação Só Notícias (fotos: Ben Hur Marimon Júnior)

Um estudo internacional científico, liderado por Facundo Alvarez, doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), acaba de lançar um alerta global pela revista Global Change Biology: o Cerrado, a savana mais biodiversa do planeta, enfrenta uma vulnerabilidade muito superior à que se imaginava. No artigo, em português: “Árvores hiperdominantes revelam a vulnerabilidade do cerrado sob mudanças climáticas”, publicado na prestigiada revista, revela que o equilíbrio de todo o bioma repousa sobre os ombros de apenas 30 espécies de árvores “hiperdominantes”. Se o clima continuar a aquecer no ritmo atual, o Cerrado perderá quase metade (48%) da área adequada para a sobrevivência dessas espécies fundamentais até 2060.

O trabalho é resultado de décadas de expedições e monitoramento rigoroso conduzidos pelo Laboratório de Ecologia Vegetal da Unemat e pelo Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração Transição Cerrado-Amazônia, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Sob a coordenação dos professores Ted Ronald Feldpausch (Universidade de Exeter, Reino Unido/Unemat), Beatriz Schwantes Marimon e Ben Hur Marimon Junior (Unemat), a pesquisa mobilizou 35 cientistas de diversas instituições brasileiras e internacionais para decifrar o “código de sobrevivência” da vegetação savânica brasileira.

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores da Unemat realizaram inventários minuciosos. Árvore por árvore, foram medidas em centenas de parcelas permanentes. “Cada árvore medida em campo é um dado insubstituível. São décadas de trabalho de muitas mãos que tornam possível estudos como este”, destaca a professora Beatriz Marimon, fundadora do projeto Peld.

O estudo aponta que o Cerrado já perdeu cerca de 24 bilhões de árvores desde 1985. Em 2023, a taxa de perda de vegetação foi 2,4 vezes maior do que a registrada na Amazônia. Espécies como Hirtella ciliata (angoleiro ou pau-do-galego) e Salvertia convallariodora (folha-larga ou bate-caixa) figuram entre as mais ameaçadas, com projeções de perda de habitat superiores a 50%. Por outro lado, o icônico pequizeiro (Caryocar brasiliense) mostrou-se mais resiliente às mudanças projetadas.

A pesquisa vai além da ecologia e cita o vácuo das políticas públicas: atualmente, apenas 8% do bioma é protegido por lei, e quase 60% da vegetação nativa remanescente está em propriedades privadas. “Os refúgios climáticos mais importantes para o futuro do Cerrado estão concentrados em estados como Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso do Sul e São Paulo, e a maioria deles está desprotegida”, afirma o professor Marimon Junior.

A análise adverte que a flexibilização do licenciamento ambiental pode acelerar o colapso desses refúgios. Segundo os autores, a sobrevivência do bioma depende agora de uma conciliação urgente entre a agropecuária e a conservação, utilizando tecnologias sustentáveis.

Um diferencial da pesquisa, típico do rigor metodológico da Unemat, foi a identificação de “traços funcionais”. Os cientistas descobriram que árvores com folhas mais densas e frutos mais largos têm maior chance de suportar o calor extremo. Essa descoberta não é apenas teórica: ela serve como um manual para projetos de reflorestamento, indicando quais espécies podem ser priorizadas para que as vegetações do futuro consigam resistir ao aquecimento global.

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