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Relatório do CENIPA aponta falhas em simulação de pane após avião ‘capotar’ em Mato Grosso

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Só Notícias/Kelvin Ramirez (fotos: reprodução/CENIPA)

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) divulgou o relatório final sobre o acidente com a aeronave Cessna 152, ocorrido em 21 de novembro de 2023, em Santo Antônio do Leverger (33 km de Cuiabá). Apesar dos danos substanciais ao avião, os dois tripulantes saíram ilesos. Consta no documento, no qual Só Notícias teve acesso, que a aeronave, fabricada em 1978, decolou do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, com destino ao Aeródromo Santo Antônio do Leverger, para a realização de navegação visual em rota e treinamentos de toque e arremetida.

Após o quarto procedimento de toque e arremetida na cabeceira, já em Santo Antônio do Leverger, o instrutor decidiu simular uma falha de motor logo após a decolagem, a aproximadamente 100 pés de altura, realizando retorno imediato à pista para pouso em frente. Depois do pouso, a aeronave percorreu o restante da pista, cruzou a cabeceira oposta, desviou pela lateral direita e acabou capotando.

O voo era conduzido por um instrutor com 820 horas totais de voo — sendo 505 horas como instrutor — e um aluno em formação de Piloto Privado, com cerca de 20 horas totais registradas. Ambos estavam com Certificado Médico Aeronáutico válido, e o instrutor possuía todas as habilitações exigidas, segundo relatório.

A aeronave estava regular com certificado válido, dentro dos limites de peso e balanceamento e com inspeções atualizadas. As condições meteorológicas estavam acima das mínimas para a operação. Contudo, o CENIPA apontou que a simulação de pane de motor realizada naquela circunstância não estava prevista na lição programada para o dia, conforme o Programa de Instrução de Piloto Privado do Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC). Segundo o relatório, a manobra executada fora do planejamento sugere excesso de confiança operacional por parte do instrutor e possível subestimação dos riscos envolvidos.

A investigação também analisou a alegação do instrutor de que teria ocorrido falha no sistema de freios após o pouso. Testes realizados pela comissão de investigação constataram que o sistema de freios funcionava normalmente, sem qualquer irregularidade. Cálculos técnicos baseados nas condições meteorológicas do dia indicaram que a distância necessária para a parada total da aeronave seria de aproximadamente 155 metros. No momento do toque, havia cerca de 300 metros de pista remanescente, além de uma stopway (zona de parada) de 175 metros na cabeceira 29, totalizando 475 metros disponíveis para desaceleração e parada segura.

Para o CENIPA, a decisão de desviar pela lateral direita pode ter sido motivada pela percepção equivocada de falha nos freios e pelo receio de atingir o barranco existente ao final da pista, desconsiderando a área adicional disponível. O relatório destaca que o gerenciamento inadequado de riscos foi fator determinante para o acidente. A execução de uma emergência simulada em baixa altitude pode ter aumentado o estresse e a sobrecarga cognitiva, influenciando o processo decisório do instrutor.

Como ocorre em todas as investigações do CENIPA, o relatório tem caráter exclusivamente preventivo, sem atribuição de culpa ou responsabilidade civil ou criminal. O objetivo é aprimorar a segurança operacional, especialmente no ambiente de formação de novos pilotos, destacou o órgão.

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