A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), em parceria com o Sindicato das Indústrias de Laticínios de Mato Grosso (Sindilat), esteve reunida com o vice-governador Otaviano Pivetta e o secretário de Fazenda Rogério Gallo para apresentar o cenário crítico vivido pela cadeia láctea em Mato Grosso. O encontro teve como foco a busca por soluções imediatas para uma crise considerada sem precedentes pelo setor.
Com base em estudo técnico do Observatório de Mato Grosso, foi apresentado um raio-x do segmento. Os dados mostram que Mato Grosso acumula queda de 41% na produção de leite nos últimos dez anos, enquanto os cinco maiores produtores do país registraram crescimento no mesmo período. O rebanho de vacas ordenhadas recuou 56% na última década, colocando o estado na 16ª posição nacional, com apenas 1,74% do total brasileiro. Atualmente, o setor conta com 140 estabelecimentos em 66 municípios, responsáveis por 1.870 empregos formais, sendo 88% concentrados na fabricação de laticínios
O estudo também aponta que o avanço das importações de lácteos e leite em pó tem pressionado fortemente os preços internos, reduzindo a margem do produtor e afetando diretamente a competitividade da indústria local. Em 2025, as importações de lácteos no Brasil atingiram o maior valor da série histórica, somando R$ 5,41 bilhões, ampliando ainda mais a concorrência com os produtos mato-grossenses
Como encaminhamento da reunião, o Governo do Estado se comprometeu a realizar, ainda neste mês, aperfeiçoamentos tributários voltados à ampliação da competitividade do segmento. Além disso, a Fiemt anunciou que irá construir, em parceria com o Sindilat, o Sistema Famato, o Sebrae e o Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB MT), um programa estruturante para apoiar a reorganização e o fortalecimento do setor lácteo no estado.
“A Federação reforça seu compromisso com a defesa da indústria mato-grossense e seguirá atuando de forma integrada com sindicatos, produtores e governo para garantir condições mais justas e sustentáveis ao setor de laticínios”, pontuou o presidente da Fiemt, Silvio Rangel.
O presidente do Sindilat, Antonio Bornelli, destacou a preocupação com o agravamento da crise e reforçou a necessidade de ações imediatas. “Estamos vivendo um momento extremamente delicado. Muitas indústrias já reduziram ou encerraram operações, e isso impacta diretamente produtores, empregos e toda a economia regional. Essa mobilização conjunta é fundamental para estancar as perdas e criar um ambiente mais competitivo para que o setor volte a crescer”, ressaltou.
O superintendente do Sistema OCB/MT, Frederico Azevedo, alertou para o avanço do processo de desindustrialização. Segundo ele, Mato Grosso já encerrou a produção de leite UHT e enfrenta forte retração na captação. “Hoje estamos na 14ª posição nacional, após uma redução muito forte. Voltamos a patamares da década de 1990. O setor está pressionado principalmente nos produtos UHT e muçarela. O Sistema OCB apoia integralmente a iniciativa da Fiemt e do Sindilat nessa reconstrução da cadeia leiteira”, afirmou.
A mobilização para a reunião contou com a presença de representantes de toda a cadeia produtiva. Também foi destacado o apoio do deputado estadual Dilmar Dal Bosco, contribuindo para viabilizar o diálogo institucional. Estiveram ainda presentes o vice-presidente da Fiemt, Jandir Milan e o superintendente da Fiemt, Lucas Barros.
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