
Conforme trechos do depoimento, obtidos pelo site Folhamax, entre 2014 e 2015, a carga de trabalho do cabo Gerson estava acima dos demais policiais, acumulando um grande volume de operações que envolviam o uso de interceptações. Conforme Lesco, o cabo Gerson vivia em elevado grau de estresse por conta de jornadas triplas de trabalho, o que diminuía sua capacidade de atenção.
Ainda de acordo com Lesco, a precariedade das condições laborais impediam que o cabo Gerson efetuasse qualquer tipo de interceptação ilegal e que o PM sequer tinha como solicitar qualquer pedido nesse sentido porque não tinha acesso ao carimbo da Diretoria da Agência Central de Inteligência (Daci). Por outro lado, o coronel também falou que a “compartimentação extrema” de recursos humanos na PM inviabilizava também a revisão, a correição e a segurança dos serviços realizados.
Lesco também negou que tenha recebido ou compartilhado qualquer tipo de informação relativa a escutas telefônicas com o coronel Ronelson Jorge de Barros ou com o tenente coronel Januário Antônio Edwiges Batista, ambos alvos de prisões determinadas pelo Tribunal de Justiça.
O ex-secretário da Casa Militar ainda afastou a ideia de que por ter atuado no Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) tenha vazado informações sigilosas de investigações.
Com relação ao coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante geral da PM que também está preso por conta de suspeitas de grampos ilegais, Evandro Lesco atribuiu a ele a responsabilidade pelas investigações sobre policiais envolvidos em tráfico de drogas, que era a investigação original em que se deu a prática de “barriga de aluguel”, conforme denúncia do promotor de Justiça Mauro Zaque. No entanto, Lesco disse não acreditar que Zaqueu tenha compartilhado dados sigilosos dessas diligências.
O coronel Evandro Lesco foi preso no dia 23 de junho, por ordem do desembargador Orlando Perri, relator do processo que apura grampos ilegais em Mato Grosso. Ele é apontado como responsável pela compra de um equipamento no valor de R$ 24 mil que teria sido usado pelo cabo Gerson Ferreira para operar as escutas clandestinas contra políticos, jornalistas, advogados e outras pessoas da oposição ao governo.
Ele está preso na academia da PM no bairro Costa Verde em Várzea Grande e aguarda a conclusão do inquérito policial militar, conduzido pelo coronel Jorge Catarino Morais Ribeiro, para avaliar o ingresso de um habeas corpus, conforme explicou o advogado dele, Marciano Xavier.


