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Carlos Alberto de Nóbrega não contém as lágrimas ao falar de Jô Soares: “chorei a morte do maior gênio”

Carlos Alberto de Nóbrega, de 86 anos, não conteve as lágrimas ao se despedir de Jô Soares, que morreu na ultima sexta-feira, aos 84 anos de idade. Através das redes sociais, o humorista compartilhou um vídeo lamentando a triste perda e relembrando momentos únicos que vivenciou com o amigo.

“Quero que vocês entendam uma coisa: eu fiz uma troca, eu troquei as dezenas de pedido de entrevista pelo silêncio”, iniciou ele. “Eu queria que o meu choro fosse só meu, porque a vida não é só o sucesso, não é só o dinheiro, é o que a gente planta, são as amizades que a gente tem”, destacou.

O apresentador continuou seu desabafo, mencionando algumas das principais qualidades de Jô Soares. “Eu chorei a morte do maior gênio que surgiu na televisão brasileira. Não conheci ninguém mais culto do que o Jô. Não conheci”, afirmou.

“Eu chorei o amigo, eu chorei que me lembrei de quando nós compramos um carro, e o carro do Jô pegou fogo e o meu veio quebrado. Nós tínhamos 20 e poucos anos e falei: ‘Jô, vou devolver esse carro e se ele não aceitar, eu vou dar uma surra nesse cara’. E sabe o que o Jô falou? ‘Sabe o que eu vou fazer, como eu não sei brigar, eu vou sentar em cima dele’, ele tinha 150 quilos naquela época”, recordou.

Carlos Alberto destacou outras lembranças de momentos ao lado do amigo. “Eu chorei pela ditadura, que não permitia que se lessem determinados livros que eles queimavam. E, várias vezes, eu estava na casa do Jô, telefonava, ‘olha os homens estão procurando livros’, eu tinha um carro com porta-malas grande, eu coloca os livros, no meu carro, que ficava na porta, e levava meu carro pro estacionamento. Dias depois, trazia os livros de volta. Chorei coisas que a televisão nunca viu. A simplicidade, o respeito que o gênio tinha por um redator que estava começando. Nós nunca disputamos uma liderança”, esclareceu.

O humorista também comentou sobre a distância que eles enfrentaram, por conta dos trabalhos. “Só que a vida nos separou. Na Globo, quando eu não tinha mais o lugar que eu achava que eu deveria ter nos Trapalhões, eu fui pedir para trabalhar com ele, mas não me deixaram. Eu saí e vim pro Silvio Santos.”, disse.

“Uma das primeiras coisas que eu fiz quando assumi a direção artística foi chamar o Jô para trabalhar comigo. ‘Você teria coragem de ir trabalhar no SBT?’ Ele falou ‘o dinheiro do Silvio é igual o do Roberto Marinho, se ele me der uma chance de fazer uma entrevista’. Nunca falei isso para ninguém”, finalizou.

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