Prestas a completar 2 anos existência, o Programa Mais Médicos conta com 254 médicos atuando na atenção básica em 104 municípios e cinco Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) em Mato Grosso. Desta forma, estima-se que um milhão de pessoas tenha acesso a esse tipo de cobertura médica aqui no Estado. Do total de vagas, 85% são ocupadas por médicos cubanos cooperados, ou seja, 218 profissionais ligados à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Estão presentes também oito profissionais não cooperados, vindos da Costa Rica e Espanha, por exemplo. Ou seja, 88,9% são estrangeiros.
Para o tutor do programa em Mato Grosso, Reinaldo Gaspar Mota, os resultados são positivos, principalmente pelo trabalho desenvolvido com a Atenção Básica de saúde. Criado em 2013, o programa fixou médicos nas regiões com carência de profissionais. Mota lembra que as vagas são oferecidas prioritariamente a brasileiros e quando não preenchidas, são abertas para estrangeiros. Isso acabou resultando em um grande número de cubanos que vieram atuar aqui.
Ele explica que a tendência é que os médicos brasileiros assumam as vagas a partir do mês de outubro, quando chegará ao fim o contrato dos médicos estrangeiros. “A medida foi um plano emergencial adotado para assistir a população o quanto antes, mas a previsão é que esses médicos retornem”. Entretanto, no final de abril, a presidente afastada Dilma Roussef assinou uma medida provisória prorrogando a permanência de médicos brasileiros formados no exterior e de estrangeiros no Programa por mais três anos, sem que o diploma tenha que ser revalidado no Brasil. O tutor demonstra uma preocupação quanto ao futuro do projeto a partir da nova gestão presidencial. Os desdobramentos do programa ainda serão debatidos em Brasília.
Contudo, as mudanças e até mesmo a troca de profissionais no programa podem trazer impactos negativos, conforme observa Mota, por causa da forma como a população recebeu a iniciativa. “As pessoas gostaram muito, então pode ter um lado negativo muito grande, infelizmente”. O tutor ressalta ainda os resultados observados nos últimos anos, nas áreas que foram identificadas como carentes. “Havia municípios que não eram assistidos e essa realidade foi percebida.
Além de um olhar diferente para a saúde, ocorrem ações como as visitas domiciliares, capacitação da equipe profissional. Isso faz a diferença”. Outro ponto positivo destacado por Mota é que o programa incentiva a formação de profissionais para atuação na Atenção Básica, a qual é muito carente de médicos. “Acontece uma reformulação para criar um olhar mais humanizado para o social e um estímulo para a transformação”