Qual é a sua missão aqui? Quanto tempo você tem para cumpri-la?
Pouco ou nada sabemos. Somos uma incógnita para nós mesmos e, justamente por isso, desconhecemos muitas vezes a nossa verdadeira missão e o tempo que teremos para realizá-la.
Fazemos parte do grande contingente humano que habita este mundo. Muitos vivem procurando respostas para perguntas que parecem não ter fim: qual é o meu dom? Qual caminho devo seguir? O que vim fazer aqui?
Há quem passe a vida inteira procurando um mestre, um sábio de longas barbas ou algum iluminado capaz de revelar os segredos da existência. Outros se sentem tão pequenos diante da grandeza dos próprios problemas que acreditam estar condenados a uma vida de monotonia e incertezas.
Existem pessoas que acordam todos os dias com a sensação de que estão começando novamente, tentando reinventar a própria história. Procuram respostas em livros, religiões, filosofias ou até mesmo em modernos “facilitadores digitais”, porque se sentem perdidas dentro dos próprios pensamentos.
Ao contemplarem a imensidão do universo, tudo parece tão grandioso que não conseguem compreender onde começa o caminho nem qual lugar lhes cabe ocupar. Então, acabam misturando suas dúvidas com as dúvidas de tantos outros que também caminham sem certezas.
Muitos estão perdidos. Como nós, perguntam diariamente:
— O que eu vim fazer aqui?
Passamos por inúmeras situações ao longo da vida, mas o importante é continuar vivendo e tentando cumprir os pactos sociais que a convivência humana exige. Afinal, por mais difíceis que sejam nossos desafios, quantos não estão à beira da morte sem jamais terem encontrado respostas para suas perguntas?
Certa vez, ouvi de alguém em seus últimos dias:
— Quem sabe um dia eu descubra e volte para lhe contar.
Na passagem por esta morada terrestre, somos executores de missões. Entretanto, quando finalmente acumulamos experiências, sabedoria e preparo, surge a inexorável Dona Velhice. Ela chega silenciosa, levando parte de nossas forças, diminuindo nossos impulsos e, sem perguntar se concluímos ou não nossas tarefas, segue cumprindo seu papel.
Passamos por aqui sem manual de instruções. Vamos tentando descobrir aquilo que ninguém sabe ao certo. Somos tudo aquilo que pensamos ser e, ao final, tornamo-nos aquilo que realmente precisamos ser.
Continuamos acreditando que tudo o que acontece possui uma razão, embora nem mesmo a ciência consiga explicar plenamente todos os acontecimentos da existência. Resta-nos a certeza de que não somos senhores absolutos de nossas vontades e que, para sofrer menos, precisamos aceitar que nem tudo está sob nosso controle.
Assim, seguimos na expectativa de que algo grandioso e feliz nos aguarde além do horizonte conhecido.
Muitos acreditam no destino. Talvez porque seja mais fácil atribuir ao destino aquilo que não foi preparado com esforço ou aceitar erros, fracassos e dores que a vida impõe. Talvez o destino seja apenas o nome que damos aos mistérios da nossa caminhada.
Felizes são aqueles que não acreditam em missões rigidamente determinadas nem em roteiros já escritos. São aqueles que despertam a cada amanhecer com força mental e espiritual para recomeçar, certos de que nada está completamente escrito e de que tudo ainda pode ser construído.
Somos parte de uma engrenagem extraordinária, uma máquina perfeita integrada a um universo que parece não ter começo nem fim. Tudo está em permanente construção.
O moderno envelhece a cada vinte e quatro horas. As novidades de hoje serão lembranças amanhã. E o mundo, felizmente, não termina ao final de cada sexta-feira.
Por isso, seguimos em frente.
Experimentamos o amor e as dores das lutas. Saboreamos alegrias e enfrentamos desafios. Caímos, levantamos e continuamos caminhando, alimentando a esperança de sermos felizes um dia.
Como nada sabemos antecipadamente, talvez seja justamente o desconhecido a força que impulsiona nossas buscas. Que possamos concluir aquilo que começamos antes que o último suspiro anuncie nossa partida.
Porque, apesar de todos os pesares, de todas as dúvidas e de todas as incertezas, existe uma verdade que permanece intacta:
Nós amamos a vida.


