Política

Valério admite que foi avalista do PT, mas nega ter sido beneficiado

O publicitário Marcos Valério de Souza admitiu hoje que foi sim avalista de uma dívida de R$ 2,4 milhões do PT, disse inclusive que não foi integralmente ressarcido, mas negou que tenha se beneficiado dessa “proximidade” com o partido em licitações públicas ou com o superfaturamento de contratos. Ele, no entanto, se negou a explicar o destino dos saques em dinheiro feitos nos bancos BMG e Rural.

Valério negou que tenha sido o “operador do mensalão”, o suposto esquema de pagamento de mesadas a aliados do governo, como apontou o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Disse que não entregou uma mala com R$ 4 milhões, conforme afirma o deputado, porque estava viajando no início de 2004, época em que teria acontecido a negociação.

Também afirmou que que o ex-líder do PMDB na Câmara José Borba (PR) mentiu ontem ao afirmar que negociou cargos no governo com ele. Segundo o publicitário, os assuntos tratados nos encontros com Borba foram estritamente eleitorais. “Tratei de assuntos políticos, de eleições do PMDB”, afirmou. Valério ironizou o questionamento dos parlamentares e disse que “daqui a pouco” será um “ministro sem pasta”.

As afirmações foram feitas em depoimento à CPI dos Correios, cuja sessão durou cerca de seis horas. No depoimento, Valério procurou demonstrar calma, apresentar documentos e recibos sobre o que falava, e tentou passar a imagem de que foi condenado sem provas pela imprensa e pelos acusadores.

Dívida do PT

Valério confirmou que foi avalista do PT no empréstimo de R$ 2,4 milhões a pedido do tesoureiro afastado do partido, Delúbio Soares. Ele também confirmou que pagou uma parcela de R$ 350 mil para não deixar o partido passar por uma execução de dívida.

O publicitário afirmou ainda que pediu para o Delúbio para que seu nome fosse retirado da transação. E Delúbio teria respeitado esse pedido.

Habeas corpus

Demonstrando tranqüilidade e segurança, Valério negou-se a informar sobre os saques e não explicou a origem do dinheiro. Valério aproveitou o habeas corpus preventivo que obteve no STF (Supremo Tribunal Federal) para negar-se a detalhar os investimentos que fez com os recursos sacados por suas empresas nas agências do Banco Rural e do Banco do Brasil.

Disse apenas que a Receita Federal irá detectar todas as transações, que teriam origem e destinatários conhecidos.

Relatório da Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) aponta que as empresas SMPB e DNA sacaram R$ 20,9 milhões desde de julho de 2003. Valério apenas explicou que parte do dinheiro pode ter sido usada para pagar fornecedores.

A outra parte do dinheiro, que ele já declarou à Polícia Federal que foi usada para investimentos, ele disse que falará no “foro adequado”. O publicitário novamente negou que tenha usado dinheiro para comprar gado, mesma declaração que já havia feito à PF.

Palmieri e Pimenta da Veiga

À CPI, Valério confirmou conhecer Emerson Palmieri, tesoureiro do PTB, mas afirmou que nunca fez negócios com ele. “Conheci [Palmieri] na sede do Edifício Varig [em Brasília]. Não temos nenhuma intimidade maior para negócio de dinheiro. Nenhum negócio de levar mala. Nesse dado [sobre doação de dinheiro], ele [Palmieri] não merece o menor crédito”, declarou.

Valério disse também que passou R$ 50 mil para o ex-ministro Pimenta da Veiga como “pagamento por serviços jurídicos” que teriam sido pagos empresas do publicitário. Aos congressistas, o publicitário disse que os dois estavam “passando pelo mesmo sentimento”. Valério teve um filho que morreu aos 6 anos de câncer.