O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso apresentou hoje a GuaIA, que é uma plataforma de inteligência artificial que será utilizada no enfrentamento das deepfakes e no monitoramento e detecção de conteúdos falsos que levam à desinformação. A ferramenta foi apresentada ao pleno da instituição, magistrados, servidores, dirigentes, estagiários, representantes das forças de segurança e veículos de imprensa.
Conforme o TRE, a ferramenta é resultado de um termo de cooperação técnica firmado com o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, que buscou a Universidade Federal de Goiás (UFG) para o desenvolvimento dessa ferramenta. O projeto, que nasceu em 2024, permite que o sistema atue em várias frentes: na veracidade das informações, na detecção de desinformação, na verificação de conteúdos, no monitoramento em redes sociais e no combate às deepfakes, nome dado a conteúdos digitais (vídeos, áudios e imagens) criados ou alterados com o uso de IA para mudar a versão original daquele produto.
“Todos da Justiça Eleitoral devem conhecer a ferramenta e trabalhar profundamente nela para serem multiplicadores de conhecimento e dos resultados que ela produzir. O GuaIA é o sistema oficial do TRE-MT e foi escolhido após muita pesquisa e sondagem pelo setor de Tecnologia da Informação do TRE-MT. Tamanha a importância desta cooperação, que ela foi compreendida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) como uma boa iniciativa, recomendada pelo ministro Kassio Nunes Marques. É um grande passo para a Justiça Eleitoral de Mato Grosso no enfrentamento das deepfakes por eleições transparentes, limpas e seguras”, disse a desembargadora Serly Marcondes Alves, presidente do TRE.
O lançamento da plataforma trouxe a Cuiabá o professor, doutor e pesquisador Eliomar Araújo de Lima, do Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás, coordenador do GuaIA. Em sua exposição de apresentação da ferramenta, ele informou que 94% dos usuários da internet consomem conteúdo incorreto nas redes sociais e 67% deles já compartilharam informações incorretas, de acordo com indicadores da “The Digital Cooperation Organization” (2023). Outro dado trazido pelo pesquisador é que hoje 56% dos conteúdos digitais no mundo são gerados por IA.
“As pessoas hoje, mais do que nunca, apresentam um comportamento na vida real e outro, bem diferente, na vida social, que é compartilhado numa plataforma digital. E tem, além de tudo isso, o ‘efeito manada’ em que, infelizmente, as pessoas se deixam levar, compartilhando e disseminando desinformação, discurso de ódio, discurso antidemocrático, enfim, procurando de alguma forma desestabilizar a nossa condição social, a própria Justiça Eleitoral e o quanto ela está bem-aparelhada. O grande desafio agora é levar toda essa estrutura para as plataformas digitais”, destacou o professor Eliomar Araújo de Lima.
O secretário de Tecnologia da Informação do TRE-MT, Leon Manoel dos Santos, explica que o GuaIA tem papel de uma interface por meio do navegador, na qual o usuário vai logar com sua autenticação, de acordo com o perfil que pode ser de analista ou de curador. No caso de um analista, ele vai fazer a verificação do conteúdo que precisa ser avaliado e analisado. De acordo com o secretário, 12 servidores do TRE-MT receberão treinamento para atuar na checagem do GuaIA. Eles são das áreas de Tecnologia da Informação, Secretaria Judiciária, Assessoria de Comunicação (Ascom), além dos gabinetes.
“Esse arquivo (conteúdo) é transmitido para a nuvem do GuaIA e passa por um processo de reconhecimento de padrões, comparando-o com padrões previamente treinados, com informações relacionadas ao estado de Mato Grosso particularmente, de modo que possa identificar qual é o grau de desinformação que contém aquele arquivo que foi encaminhado. A decisão se vai dar continuidade a algum eventual processo de investigação ou se vai simplesmente tomar uma decisão em algum outro sentido é do magistrado, orientado pelo analista com base nas informações que essa ferramenta vai trazer”, resumiu o titular da TI.
A juíza Glenda Moreira Borges, coordenadora do Gabinete da Propaganda do TRE-MT, observou que o momento no Brasil e no mundo exige o uso de IA para identificar conteúdos gerados por IA, face à dificuldade de reconhecer conteúdos produzidos de forma sintética. O uso da ferramenta, de acordo com ela, será fundamental para o trabalho de análise das denúncias relativas à propaganda eleitoral. Glenda Borges acredita que o GuaIA é apoio à Justiça Eleitoral na identificação de riscos informacionais relacionados ao processo eleitoral, oferecendo uma visão estruturada das ameaças digitais.
“Como o gabinete vai receber denúncias e vídeos, precisamos que essas informações sejam verificadas, porque a grande discussão é a desinformação. A gente quer que o eleitor, figura central do processo democrático, ao fazer sua escolha, tenha consciência de que aquilo é verdade. A gente está aqui para poder apurar se a notícia, o vídeo ou a informação é verdadeira ou não. E o sistema GuaIA vem para isso, uma ferramenta de inteligência artificial para que a gente desvende se aquela informação, aquele vídeo é verdadeiro, se aquela fala realmente saiu daquela pessoa”, enfatizou a magistrada, que também é a ouvidora eleitoral do TRE-MT.
O nome GuaIA faz alusão aos “Goyá”, povos indígenas que habitaram, antes da colonização, a região central do país, onde hoje é o Estado de Goiás.
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