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Sorriso: atraso na colheita e chuvas em excesso podem afetar toda economia, avalia sindicato

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Só Notícias/Wellinton Cunha (foto: Só Notícias/Lucas Torres/arquivo)

O presidente do sindicato Rural de Sorriso, Diogo Damiani, afirmou, ao Só Notícias, que o atraso na colheita da safra 2025/26, com perdas de produtividade e excesso de chuvas pode afetar todos segmentos da economia. “O principal setor nosso de renda do município é o agronegócio. Então, tudo que vem a impactar, principalmente a renda do produtor rural, consequentemente, acaba criando também problemas na questão dos outros setores. Então, diminui o poder de investimento, aumenta o custo de produção e acaba, consequentemente, respingando nos outros setores”, avaliou.

Damiani disse que a semeadura da soja na atual safra começou mais cedo em função das chuvas registradas em setembro do ano passado. Até o dia 30 daquele mês, cerca de 50% da área já havia sido plantada. No entanto, o cenário mudou drasticamente em outubro, quando as precipitações diminuíram e ocorreram de forma irregular. A estiagem se estendeu praticamente até novembro, provocando atrasos no plantio e reflexos diretos sobre as culturas de segunda safra, especialmente milho e algodão. Com a retomada das chuvas no fim de novembro e meados de dezembro, parte das lavouras conseguiu se desenvolver, mas áreas semeadas ainda em setembro tiveram perdas. O presidente destacou que a colheita das primeiras áreas, iniciada entre 20 e 25 de dezembro, apresentou baixa produtividade, atribuída à perda de estande e à necessidade de replantio após o período seco de outubro.

Segundo Damiani, as áreas plantadas mais tarde, beneficiadas por chuvas a partir da segunda quinzena de outubro, estão sendo colhidas neste momento, mas também geram preocupação. Ele relatou que o município enfrenta uma sequência de chuvas diárias há quase duas semanas, condição que tem prejudicado os trabalhos no campo e favorecido problemas de qualidade, como grãos avariados e anomalias nas lavouras.

Atualmente, cerca de 35% da produção de soja de Sorriso ainda não foi colheita, enquanto a janela considerada ideal para o plantio do milho de segunda safra, estimada em meados de fevereiro, se aproxima do fim. O atraso nas operações aumenta o risco para os produtores que dependem da sequência do calendário agrícola.

Além das dificuldades climáticas, o presidente mencionou fatores econômicos e fitossanitários. Os preços da soja registraram queda entre 12% e 15% em plena safra. No campo, houve ainda ataque severo de mosca-branca em janeiro, o que elevou os custos de produção devido à intensificação do controle da praga.

Apesar das adversidades, Damiani afirmou que os produtores seguem mobilizados e torcem por uma mudança nas condições meteorológicas. A expectativa é de alternância entre sol e chuva nos próximos dias, cenário que permitiria avançar na retirada da soja das lavouras e garantir a implantação das culturas de segunda safra. “O clima a gente não consegue controlar. Então, o risco, a agricultura sempre vai ter, vai ocorrer o risco climático. Então, o que a gente sempre orienta, e o produtor sabe disso, é alternar ciclo de materiais, tentar fazer um plantio um pouco mais escalonado para que essa soja não chegue toda ao mesmo tempo”, disse.

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