O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário da região Norte de Mato Grosso (Siticom), Vilmar Galvão, afirmou, ao Só Notícias, que é favorável à proposta, discutida no Congresso Nacional, de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas sem corte salarial e ao fim da escala 6 dias de trabalho e 1 de folga, temas que estão em debate no país por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição. “Sou totalmente a favor do fim dessa escala 6 por 1 porque nós sabemos as consequências que isso tem causado à vida humana, ao ser humano, o trabalhador como um todo. Nossa entidade vem trabalhando firmemente junto na conscientização, na informação dos trabalhadores, para nos ajudar com que o debate seja um debate profundo”, defendeu o dirigente do sindicato, que representa cerca de 15 mil trabalhadores de 13 categorias (construção civil, madeireiras, fábricas de móveis pré-moldados e cerâmicas e outras), tendo aproximadamente 2 mil sindicalizados.
Sobre a resistência por parte do setor empresarial, Vilmar afirma que, “por parte do empregador, sempre dizem que haverá redução de produção, haverá desemprego, haverá uma série de consequências econômicas. Isso não é verdade. Porque se você for analisar, por outro lado, a vida do trabalhador, ele tem o direito, no sábado, de sair com a família, visitar uma loja, ir num shopping, fazer um descanso em um clube, enfim, ter o descanso no domingo com a sua família, comer sua feijoada. Como é que vai haver redução econômica? Porque a partir do momento – e isso é comprovado – que é feita distribuição de renda, evai ter mais gente comprando e mais gente podendo ter poder aquisitivo melhor. Da mesma forma, o fim da escala 6 x 1. Quanto mais pessoas estiver visitando o comércio, com tempo de comprar, eu vou vender mais. Mas, a gente respeita a opinião empresarial, mas nós entendemos que é preciso diminuir a jornada de trabalho dos trabalhadores”, manifestou.
O presidente também questiona a efetividade da jornada atual de oito horas diárias, que pode totalizar 44 horas semanais, principalmente em relação à produtividade após longos períodos de trabalho. “Produtividade e a economia também é importante, mas quando o empregador diz que o fim da jornada de 6 por 1 prejudica, eles batem de frente com as próprias estatísticas. Vou dar um exemplo do que que a gente vem falando: a partir das oito horas de trabalho – não somos nós que estamos falando, isso é a questão da área de medicina e segurança do trabalhador que prova, mas bem provado – você não produz mais absolutamente nada ou quase nada a partir das oito horas. Produzir com qualidade, produzir com quantidade, você produz da primeira até a oitava hora. Então, quer dizer, eles fingem que estão pagando o trabalhador quando ele está fazendo hora extra, e o trabalhador finge para ele que está trabalhando também. É assim o jogo. Quem sai mais prejudicado é o trabalhador porque o tempo que ele está lá, mentalmente, desgasta ele”, avaliou.
A proposta da PEC está em tramitação no Congresso e ainda precisa avançar nas etapas legislativas para eventual aprovação.
Conforme Só Notícias já informou, recentemente, os presidentes de federações do comércio, indústria, agricultura e pecuária em Mato Grosso detalharam para parlamentares os impactos da fim da escala 6 x 1 e manifestaram que determinados produtos, por exemplo, podem subir 24%
Receba em seu WhatsApp informações publicadas em Só Notícias. Clique aqui.


