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Sinop: presidente da ACES vê riscos para pequenos negócios com fim da escala de trabalho 6 x 1

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Só Notícias/Wellinton Cunha (foto: Só Notícias/Guilherme Araújo/arquivo)

A proposta de redução da jornada de trabalho prevista na PEC 08/2025, que prevê o fim da escala 6 dias de trabalho e 1 de folga, é vista com cautela pelo presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sinop (ACES), Fábio Migliorini, e pode trazer ganhos econômicos localizados como para o setor de turismo, com mais tempo livre para o trabalhador, mas também impõe desafios significativos, especialmente para pequenos e médios empreendedores. O dirigente ressaltou que, entre 60% e 70% do Produto Interno Bruto (PIB) de Sinop, está concentrado em pequenas e médias empresas — justamente o segmento mais vulnerável às mudanças, em sua visão. “Essas empresas vão ter muita dificuldade em captar mão de obra para repor aquele colaborador que vai estar com o período de descanso dele ampliado”, disse, ao Só Notícias.

Na avaliação de Migliorini, a diferença de capacidade de adaptação entre grandes e pequenos negócios tende a se acentuar com a eventual aprovação da proposta. Ele avalia que grandes redes varejistas possuem maior margem financeira e poder de negociação, o que permite absorver ou repassar custos de forma gradual. Já os pequenos empreendedores operam com margens reduzidas e enfrentam concorrência direta tanto de grandes grupos quanto do comércio eletrônico. “A gente tem de um lado grandes varejistas, grandes redes entrando em Sinop. Do outro lado, a gente tem a internet pressionando também, então eles já estão com a margem super apertada”, afirmou. Nesse cenário, a necessidade de ampliar o quadro de funcionários para cumprir a nova jornada poderia comprometer a viabilidade de muitos negócios. “A partir do momento que ele vai ter que passar de 5 para 6 ou 7 colaboradores, muitas vezes aquela margem de lucro que o pequeno comerciante tem vai sumir”, completou.

Ele ressalta que, ao contrário das grandes empresas, o pequeno comerciante não consegue repassar o aumento de custos ao consumidor. “Ele não consegue empurrar isso para o cliente, ele não consegue botar isso de preço porque ele tem uma concorrência ao redor que não vai dar espaço para ele fazer esse aumento de valores”, disse. Enquanto isso, para o diretor, grandes empresas podem utilizar estratégias de mercado para diluir o impacto ao longo do tempo ou até reduzir preços temporariamente para pressionar concorrentes menores. “O grande comerciante pode absorver o fim da escala 6×1. Ele tem gordura, ele tem capacidade de financiamento”, afirmou Migliorini. “Já os pequenos enfrentam limitações de crédito, agravadas pela taxa Selic, atualmente na faixa de 14% a 15% ao ano, o que reduz ainda mais a margem de manobra”, complementou.

Diante desse cenário, como dirigente da associação, Migliorini tem defendido a inovação como caminho para manter a competitividade do setor. Segundo ele, investir em tecnologia, processos e diferenciação de produtos é essencial para aumentar a produtividade sem depender exclusivamente da ampliação da mão de obra. “A gente entende que já no cenário atual é necessário as empresas inovarem, porque através da inovação, você consegue justamente otimizar o desempenho dos seus colaboradores”, afirmou.

Ele também chama atenção para a mudança no ambiente competitivo, impulsionada pela digitalização. “Hoje, a gente não concorre mais com o vizinho aqui do lado. Você está concorrendo com toda a internet (lojas que vendem on line)”, disse, citando desde grandes centros urbanos até empresas internacionais de vendas de roupas, eletrônicos e produtos para casa. Nesse contexto, a falta de adaptação pode levar à perda de autonomia dos empreendedores locais, de acordo com o dirigente.

Migliorini exemplifica esse risco ao descrever o processo de “plataformização” de pequenos negócios, como restaurantes e trailers de comida. Segundo ele, empresários podem acabar migrando para modelos dependentes de aplicativos de entrega, reduzindo suas margens e, gradualmente, deixando de operar como negócios independentes. “Se a gente não achar formas de inovar, ganhar produtividade com produtos diferenciados, a tendência é que a gente fique para trás muito rápido”, concluiu.

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