Política

Sinop: lideranças de Mato Grosso e Pará debatem com ministro estratégias para viabilizar a Ferrogrão

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas e o governador Mauro Mendes reforçaram, esta manhã, durante encontro em Sinop, a articulação pela construção da Ferrogrão (ferrovia que ligará Sinop a Miritituba). Prefeitos do Nortão, Médio Norte, Sul do Pará, deputados federais, estaduais e dirigentes de entidades também participaram.

Tarcísio Freitas apontou que os críticos da Ferrogrão não conhecem a realidade a potencialidade de Mato Grosso. “Vejo algumas pessoas falando em agressão aos povos tradicionais, agressão ao meio ambiente. Pela primeira vez eu me deparei em ter que mostrar que uma ferrovia é sustentável, sendo que a opção a essa ferrovia é a duplicação da NR-163. Eu não sabia o que era o Mato Grosso há 12 anos, quando assumi a direção do DNIT. Muita coisa mudou. Observe o nível de discussão que temos hoje. Naquele tempo, era cobrando a pavimentação BR-163, no Pará. As pessoas sofriam todos os anos com atoleiros que formavam 50 km. Caminhoneiros ficaram de 10 a 11 dias parados. Levamos o compromisso do governo do presidente Bolsonaro para terminar essa parte. Eles (caminhoneiros) acreditaram, confiaram que a gente realmente ia terminar aquela pavimentação e fizemos”.

O prefeito Roberto Dorner, articulador do encontro,  disse na abertura do evento, no centro de eventos Dante de Oliveira,  que o ministro atendeu o chamado não só de Sinop, mas de Mato Grosso para reforçar a mobilização em prol dessa obra que trará grande salto para o desenvolvimento do Estado. “A gente sabe que é com a união que faz a força e a gente quando convocou as pessoas para fazer presença. Estou muito feliz. O nosso pedido é unânime: nossa ferrovia”, discursou.

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), destacou que Mato Grosso é o estado brasileiro que tem o maior volume de investimentos na área de infraestrutura. “A Ferrovia estadual é uma delas  que lançamos recentemente, vai permitir chegar  chega Cuiabá e ao Médio Norte (Nova Mutum e Lucas do Rio Verde). É um verdadeiro desafio tirar os entraves ambientais. Um estudo importante mostrou que nos próximos 10 anos a procura por alimentos vai crescer 20%. O único país do mundo com produção de alimentos mais 20% chama-se Brasil e o único estado brasileiro que pode dobrar a sua produção em 10 anos chama-se Mato Grosso”, declarou, sob aplausos dos participantes.

O presidente de Assembleia, Max Russi, discursou em nome dos deputados estaduais e manifestou que a Assembleia também defende a construção da ferrovia.

O presidente do Instituto  Agro e ex-deputado federal, Nilson Leitão afirmou “não é apenas o minério que está em jogo, mas o eletroeletrônico demais não se pode vir para cá também via Belém. Não tenho dúvida que todas as entidades organizadas todos os setores nesse momento não é movimento partidário não é momento de discutir eleição. A Ferrogrão desenvolvimento é progresso do nosso Brasil. Parabéns Tarciso, continue essa luta”.

O deputado federal Juarez Costa (MDB) parabenizou o prefeito Roberto Dorner “pelo grande evento” em Sinop, pela Ferrogrão, e disse que é uma das maiores necessidades das regiões Norte e Médio Norte para fortalecer o setor logístico e disse que a bancada federal está unida para apoiar as ações pela ferrovia.

O presidente da Federação da Agricultura de Mato Grosso (FAMATO), Fernando Cadore, disse que a ferrovia é de extrema importância para o setor agrícola do Estado devido ao grande aumento na produção de grãos, nos próximos 10 anos, e disse que é preciso combater os discursos contrários.

A Ferrogrão (corredor ferroviário de exportação do Brasil pelo Arco Norte, ligando Sinop até os portos de Miritituba, no Pará), terá 933 quilômetros de extensão e, segundo o ministério, nasce com “Selo Verde” por conta da sua preocupação ambiental. Numa segunda etapa ligará mais 150 quilômetros até Lucas do Rio Verde. A iniciativa privada vai aportar parte dos recursos para construção da ferrovia.

Multinacionais do agronegócio vão investir juntamente com o BNDES, na ferrovia, cerca de R$ 12,7 bilhões. Estão previstos o ramal de Santarenzinho, entre Itaituba e Santarenzinho, no município de Rurópolis (PA), com 32 quilômetros, e o ramal de Itapacurá, com 11 quilômetros.

De acordo com o ministério da Infraestrutura, a expectativa é que a ferrovia reduza em 50% a emissão dos gases do efeito estufa e retire 1 milhão de toneladas de CO2 da atmosfera, além de usar a faixa de domínio da BR-163 como traçado. O governo federal afirmou que a ferrovia não irá sobrepor terras indígenas, quilombolas ou unidades de conservação.

Os processos para implantação do empreendimento estão paralisados, desde março, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que acatou pedido feito pelo Partido Solidariedade e Liberdade (Psol). Ao deferir a liminar, o ministro entendeu que a exclusão de 862 hectares do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para passagem da ferrovia, não poderia ter sido concretizada por meio de Medida Provisória (MP) e demandaria a promulgação de “lei em sentido formal”.

Recentemente, ativistas ambientais, pressionaram bancos para que barrem crédito à Ferrogrão. A justificativa do grupo, que enviará uma carta às instituições financeiras, é que a obra poderá desmatar uma área que equivale a da cidade de São Paulo.

Só Notícias/Luan Cordeiro (fotos: Só Notícias - atualizada às 15:51h)