A criação da Universidade Federal em Sinop voltou ao centro das discussões regionais com a divulgação de um relatório elaborado conjuntamente pela prefeitura, câmara e União das Entidades de Sinop (Unesin), há poucos dias. O documento, ao qual Só Notícias teve acesso, reúne dados educacionais, análises institucionais e indicadores de desenvolvimento para defender a emancipação do câmpus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) no município, transformando-o em uma universidade federal autônoma, assim como ocorreu em Rondonópolis, há alguns anos.
De acordo com o levantamento, Sinop tem, atualmente, 760 vagas federais de graduação por ano, o que representa 34 vagas para cada 10 mil habitantes. O índice é inferior ao observado em cidades brasileiras de porte semelhante que sediam universidades federais. Enquanto Santa Maria (RS) registra 162,1 vagas por 10 mil habitantes, Rio Grande (RS) tem 108,2, São Carlos (SP) alcança 94,1, Dourados (MS) possui 74,7 e Rondonópolis registra 41,7.
O relatório aponta que Sinop, apesar de ser a quarta cidade mais populosa de Mato Grosso, apresenta acesso ao ensino superior federal abaixo da média nacional entre municípios com população entre 200 mil e 300 mil habitantes. Segundo o documento, para atingir o padrão médio dessas cidades, o câmpus deveria ofertar cerca de 1.565 vagas anuais, o que representa uma diferença de 805 vagas em relação ao número atual.
Outro dado apresentado refere-se à demanda reprimida por educação superior pública. A mesorregião Norte de Mato Grosso possui 38.960 estudantes matriculados no ensino médio, número que corresponde a 28,1% de todos os alunos dessa etapa educacional no Estado. Em contrapartida, a região conta com apenas 1.160 vagas públicas de ensino superior ofertadas anualmente.
Além de apontar a insuficiência de vagas, o relatório destaca o potencial acadêmico já consolidado do câmpus de Sinop. Atualmente, cerca de 80% do corpo docente possui título de doutorado, percentual superior à média nacional das universidades federais, estimada em aproximadamente 50%.
O documento também registra a existência de 175 projetos de pesquisa ativos distribuídos em 49 grupos de pesquisa. A produção científica do câmpus responde por mais de 20% de toda a produção acadêmica da UFMT. Na área de extensão, são 75 projetos que já impactaram mais de 2 milhões de pessoas.
Outro indicador utilizado para reforçar a defesa da autonomia é a estrutura da pós-graduação. O câmpus mantém seis programas, entre mestrados e doutorado. O levantamento ainda mostra que 24,1% dos estudantes matriculados são oriundos de outros estados brasileiros.
Como exemplo dos benefícios da emancipação, o estudo apresenta o caso de Rondonópolis, onde a criação da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) permitiu a implantação de gestão própria, orçamento independente do ministério da Educação, ampliação da autonomia para criação de cursos e fortalecimento da estrutura universitária.
Segundo os dados apresentados, o câmpus de Sinop tem, hoje, 1.854 estudantes de graduação e cerca de 280 docentes. Já a Universidade Federal de Rondonópolis conta com aproximadamente 3.700 alunos e 297 professores, números que os autores do relatório utilizam para demonstrar a viabilidade da transformação institucional.
O documento também resgata a trajetória legislativa do movimento pela criação da universidade federal em Sinop. A primeira proposta foi apresentada em 2006. Posteriormente, o projeto de lei foi transformado em indicação à Presidência da República ano passado e avançou em este ano ao ser aprovado na comissão de educação do Senado.
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