Política

Sorriso: prefeito suspende licitação de R$ 2 milhões e diz que registradores de velocidade não iriam multar

O prefeito Ari Lafin (PSDB) anunciou, hoje, a suspensão da licitação para contratação de uma empresa de locação, implantação e operação de 42 equipamentos eletrônicos para monitoramento de velocidade, que seriam implantados em diversos pontos da cidade. A previsão era que cada equipamento tivesse um custo mensal de até R$ 4,4 mil, podendo chegar o total a R$ 2,2 milhões por ano.

“Estamos suspendendo temporariamente o processo por entender que a sociedade organizada quer discutir. Conversei com o presidente da câmara, hoje pela manhã, haja vista que vários vereadores se colocaram com dúvidas, sem mesmo entender o projeto. Então, o momento é de sabedoria, tranquilidade. Quero ouvir, de forma democrática. Se a sociedade organizada, os demais vereadores, entenderem que é um projeto interessante daremos todos os andamentos legais. Se entenderem que não é apropriado para o município, então cancelaremos”, disse Lafin.

O prefeito ainda garantiu que os equipamentos não seriam do tipo de radar que registra as infrações de trânsito e multam os motoristas. “Esse projeto nasceu dentro da secretaria municipal de Segurança, com o apoio das demais autoridades voltadas ao trânsito. Muitos entendem que são os radares, que multam. Não é isso. São lombadas eletrônicas. É um sistema moderno para que a gente possa diminuir a velocidade em vários pontos da nossa cidade, que estão se transformando em pistas de corrida”, detalhou o prefeito.

Lafin também ressaltou que o valor de R$ 2,2 milhões, utilizado como referência na licitação, seria apenas para o caso da contratação de todos os equipamentos listados no edital. “Não seria contratado todo o valor anunciado. A contratação seria para alguns pontos ‘nervosos’ de nossa cidade, onde há número maior de acidentes. Hoje, uma pista de rolagem muito perigosa é a avenida Blumenau, onde estamos acompanhando excessos de velocidades. Acredito que esse projeto deverá ser melhor explicado para a sociedade. Se mesmo com todas as explicações, não for absorvido, nós assim não o faremos”.

A decisão da suspensão ocorre após reportagem em Só Notícias. Ao abrir o certame, a prefeitura havia justificado que, nos últimos anos, “com o aumento considerável da quantidade de acidentes, com e sem vítimas, em virtude dos excessos de velocidade e o desrespeito às Leis de Trânsito pelos condutores dos veículos que trafegam nas ruas e avenidas do município de Sorriso, há a necessidade de buscar meios para garantir a segurança no trânsito”.

A administração municipal justificou ainda que “a implantação dos equipamentos e soluções almejadas decorre da necessidade de aprimoramento e continuidade na adoção de medidas preventivas que visam fundamentalmente à obtenção de um trânsito em condições seguras, com a ampliação da sinalização e fiscalização rígida das vias públicas do município”.

Os equipamentos medidores de velocidade seriam instalados nas avenidas Blumenau (em três trechos), Mário Raiter, Claudino Francio (em dois trechos), Noemia Dalmolin, Tancredo Neves, Universitários, Perimetral Sudoeste e Brasil, além das ruas São Francisco de Assis e Lions Club.

Os equipamentos deveriam ser capazes de registrar o tráfego em limite acima da velocidade permitida e em locais ou horários não permitidos. Também captariam veículos que trafegassem em pistas exclusivas de transportes coletivos e motociclistas que conduzissem sem capacete.

Como o pregão eletrônico era para registro de preços, a prefeitura poderia não chegar a contratar a totalidade dos itens listados. As propostas das empresas foram recebidas no início de julho, mas o certame ainda não havia sido homologado. O prazo de vigência do contrato seria de 12 meses, contados da data de assinatura, podendo chegar a 60 meses com eventuais prorrogações.

Só Notícias/Herbert de Souza e Lucas Torres, de Sorriso (foto: Só Notícias/arquivo)