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Pesquisa aponta que Sorriso já perdeu mais de 70% da vegetação urbana; parque ecológico mais afetado

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Só Notícias/Guilherme Araújo (fotos: Só Notícias/Lucas Torres e divulgação)

A pesquisa da cobertura vegetal associada a parques, praças, jardins, canteiros e outras áreas similares no perímetro urbano de Sorriso revelou processo contínuo de supressão vegetal indica decréscimo de 74,83% num intervalo de 33 anos, com o Índice de Áreas Verdes (IAV) indo de 454,28 m² por habitante (1991) para 8,16 m²/habitantes (2024). Os dados são de pesquisa estatística publicada pela revista científica espanhola “Contribuciones a Las Ciencias Sociales”.

Os trabalhos consideraram o processamento de dados da malha territorial pelo Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (SIRGAS), além dos satélites Spot da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Planet da Google, compilando imagens aéreas em consonância temporal com os censos oficiais do IBGE (1991, 2000, 2010, 2022) e a estimativa populacional base do município em 2024. Participaram do levantamento pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e da Faculdade Rolim de Moura (FAROL).

Durante a progressão temporal da série entre 1991 e 2000, observou-se no detalhamento uma redução de 21,44% na vegetação da área urbana de Sorriso. Esse declínio se intensificou entre 2000 e 2010, quando a cobertura vegetal urbana sofreu sua maior queda no período analisado, com uma redução de 54,86%. A tendência se manteve nos anos subsequentes, evidenciando uma diminuição de 19,97% da infraestrutura verde urbana no período de 2010 a 2022 e, por fim, um decréscimo de 11,34% no biênio de 2022 a 2024.

Levando em conta o valor referencial utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 12 m²/habitante, o município encontra-se abaixo dos índices aceitáveis. Esses resultados, segundo os pesquisadores, sinalizam “uma trajetória de descontinuidade e fragmentação da cobertura vegetal urbana, potencialmente associada a dinâmicas de expansão urbana, alterações no uso e ocupação do solo e ausência de políticas públicas voltadas à preservação e recuperação de espaços verdes”.

O Bairro Rota do Sol registrou a maior redução absoluta em metros quadrados, com decréscimo de 68,09%. Este resultado evidencia intenso processo de transformação territorial, caracterizado por substituição de áreas naturais por infraestrutura urbana ao longo do período analisado. Já o Parque Ecológico apresentou a mais drástica redução percentual (91,73%), com declínio particularmente acentuado entre 2000-2010 (74,44%). Tal padrão sugere forte associação com processos de fragmentação de habitats e alterações significativas no uso do solo neste período. A área adjacente seguiu tendência similar, com redução de 83,41%.

As Praças da Juventude, Fontes e Integração mantiveram estabilidade na cobertura vegetal, sem variações significativas ao longo das três décadas analisadas. Esta conservação pode ser atribuída ao caráter institucional e recreativo desses espaços, que receberam manutenção sistemática. Por outro lado, a área verde central demonstrou comportamento distinto, com discreta expansão vegetal entre 2000-2010 (3,2%), seguida por modesta redução nos anos subsequentes (1,8% ao ano). A flutuação se deve possivelmente a políticas públicas específicas ou dinâmicas urbanas particulares em tal localidade. De maneira geral, os dados analisados indicam um processo contínuo de substituição das áreas verdes por ocupações urbanas, mesmo  com os gestores públicos criando espaços de interação social.

As observações associam o fenômeno ao crescimento urbano acelerado do município. “Tal expansão tem sido fortemente influenciada pelo avanço do agronegócio, setor que, ao gerar emprego e renda, dinamiza a economia local e atrai expressivos fluxos populacionais e de investimentos”, “e acordo com dados censitários do IBGE, a população urbana de Sorriso era de 8.572 habitantes em 1991. Ao passo que, em 2024, esse número foi estimado em aproximadamente 112.650 habitantes (SIDRA, 2024), evidenciando um crescimento expressivo”.

A partir dos anos 2000 e 2010, houve ainda uma explosão de loteamentos destinados a diferentes faixas de renda, somados ao acelerado progresso tecnológico na lavoura de soja e milho, além da consolidação do complexo agroindustrial carnes/grãos que estimularam sucessivas ampliações urbanísticas. Por fim, a pesquisa ressaltou a importância quanto a políticas públicas para a criação e manutenção de áreas verdes no tecido urbano, considerando que os benefícios ambientais proporcionados são amplamente reconhecidos, tais como a purificação do ar, o aumento da permeabilidade do solo, a proteção dos corpos hídricos contra processos de erosão e assoreamento, a atenuação dos níveis de ruído, entre outros pontos. 

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