Política

Ex-secretário diz em depoimento que dinheiro desviado da Educação era “complemento de salário”

O ex-secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto afirmou que secretários recebiam uma “complementação salarial” para que os vencimentos se equiparassem aos recebidos na iniciativa privada. Em seu depoimento na tarde de sexta-feira, na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, ele alegou ter recebido cerca de R$ 20 mil por mês, valor que era recolhido por Giovani Guizardi, empresário apontado como braço forte do esquema.

A proposta teria partido de Alan Malouf, em janeiro de 2015, pouco tempo após a posse de Taques como governador. Malouf teria falado sobre o assunto na terceira vez em que eles se encontraram, em uma reunião particular no escritório do empresário.

“[Ele] Disse também que houve certa dificuldade na composição do secretariado, pelo salário ser muito baixo. Tinham pastas que geriam, como a Educação, algo em torno de R$ 1,5 milhão e o salário líquido era de R$ 13 mil. E que ele poderia, assim como faria para outros secretários, fazer a complementação salarial para mim”, disse Permínio no novo depoimento.

Segundo o ex-secretário, o valor dessa “complementação” também foi indicado por Alan Malouf, conforme o que já acontecia com outros membros do staff. “Sugeriu que esse valor fosse mais ou menos de R$ 20 mil, para chegar ao que eu receberia, em torno de R$ 30 mil. Eu pedi para ele um tempo para analisar, para refletir”.

Na próxima reunião da dupla, no final de janeiro de 2015, Malouf pediu uma resposta e apresentou Guizardi. “Quando voltei no escritório dele, ele queria saber uma devolutiva minha. Me deu garantias de que tudo que fosse feito, tanto o nome dele quanto o meu seriam preservados. E me apresentou o senhor Giovani Guizardi, como sendo a pessoa, que poderia, através de diversos prestadores de serviços da Secretaria de Educação, pudesse fazer a captação de recursos ilícitos”.

Esses recursos captados por Guizardi, de acordo com Permínio, não tinham apenas a função de “complementar” os salários dos secretários. Parte desses valores iria repor os “recursos que ele havia investido no período de campanha”.

A Operação Rêmora foi deflagrada no início de maio de 2016 pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para desmantelar um esquema de fraudes e direcionamento nas 23 licitações para reformar escolas em Mato Grosso. De acordo com Ministério Público Estadual (MPE), ficou comprovado que após o pagamento por parte da secretaria para os empreiteiros o valor (inicialmente 5%, depois de 3%) era devolvida a parte da organização criminosa através do arrecadador da propina, Giovani Belatto Guizardi que é réu juntamente com os ex-servidores Fábio Frigeri e Wander Luiz dos Reis e o empresário Alan Malouf.

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