A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado pode convocar o ex-governador de Mato Grosso e ex-senador Pedro Taques para prestar depoimento sobre as investigações relacionadas a fraudes envolvendo o Banco Master. O requerimento foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e consta na pauta de votações da comissão, marcada para quarta-feira (11).
De acordo com o requerimento, a convocação se fundamenta na necessidade de esclarecer a extensão das atividades ilícitas atribuídas ao grupo controlador do Banco Master, recentemente alvo de medidas judiciais no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. O documento destaca que Taques, devido à sua trajetória na vida pública e atuação no Ministério Público (foi procurador), detém “visão privilegiada e técnica sobre os mecanismos de funcionamento do Estado e as formas de interação entre o sistema financeiro e a administração pública”.
O requerimento ressalta que o ex-governador passou a representar entidades sindicais de servidores públicos estaduais em denúncias relacionadas a irregularidades no sistema de crédito consignado operado em Mato Grosso. Conforme noticiado ao longo de 2025, Taques afirmou haver fortes indícios de fraudes em contratos firmados com uma empresa de consignado, que teriam causado prejuízos financeiros estimados a cerca de 14 mil servidores públicos estaduais.
As denúncias apresentadas indicam que tais operações teriam contado com a intermediação financeira e operacional do conglomerado Banco Master e de empresas a ele associadas. Na condição de advogado dos sindicatos, Taques protocolou representações perante o Ministério Público Federal, o Ministério Público de Mato Grosso, o Tribunal de Contas do Estado e o Banco Central.
“É essencial que esta comissão compreenda, sob a ótica de quem geriu a máquina pública e legislou em matérias sensíveis, como a referida instituição financeira logrou êxito em operar vultosas carteiras de crédito consignado, muitas vezes em cenários de fragilidade regulatória ou mediante estratégias de captação agressiva que agora são apontadas como fraudulentas pela Polícia Federal”, justifica o senador Alessandro Vieira no requerimento.
A CPI também deve votar requerimentos para convocar outras testemunhas relacionadas ao caso, como o empresário Vladimir Timerman, que também denunciou o Banco Master antes das investigações, e pessoas acusadas de envolvimento com o grupo, além de servidores do Banco Central investigados por suposto aliciamento. A comissão também pode aprovar quebras de sigilo fiscal, telefônico e telemático de investigados. A sessão está marcada para as 9h de quarta-feira, quando também será ouvido o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, sobre a atuação de facções criminosas no estado gaúcho.
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