Política

Escuta telefônica no vice-prefeito de Sorriso e em advogados custou R$ 2 mil

As escutas ou grampos telefônicos feitos nas linhas convencionais do vice-prefeito de Sorriso, Luiz Carlos Nardi e no escritório de advogacia de Irineu Roveda Junior (procurador jurídico da prefeitura) e Zilaudio Pereira custaram R$ 2 mil. O pagamento foi, no mês passado, com cheques de terceiros. A revelação foi feita por três técnicos de uma empresa em Sinop que presta serviços para a companhia telefônica, que depuseram sábado, ao delegado municipal de polícia, Enio Lacerda. “Carlos disse que contou aos técnicos que as vítimas (Nardi e os advogados) seriam seus sócios e que precisava fazer extensões dos telefones na casa dele”, disse o delegado, ao Só Notícias.

Carlos, preso em flagrante na sexta-feira, confessou a autoria das escutas clandestinas. Em sua casa, peritos do Instituto de Criminalística de Sinop encontraram um gravador digital. Não foram confirmadas quantas horas de conversas tinham sido gravadas. “O grampo teria sido feito há 20 dias mas as gravações começaram a ser feitas de uns 10 dias para cá”, acrescentou o delegado.

Carlos Alberto de Oliveira alegou que teve “desentendimentos”, durante a campanha eleitoral, com um dos advogados e que resolveu fazer as escutas para se “vingar”. “Ele disse que estavam em busca de ‘podres’ das vítimas para se vingar”, relatou o advogado, mas não soube explicar porque fez escutas também no telefone do vice-prefeito já que não teria tido desentendimento com ele.
Conforme Só Notícias informou na 6ª, em primeira mão, Carlos e a mulher foram presos durante cumprimento de mandado de busca, expedido pela juíza Debora Caldas, atendendo solicitação do advogado Zilaudio Pereira, que suspeitou a existência de escuta clandestina. Carlos inocentou a esposa, que foi liberada após ficar algumas horas na delegacia.

O delegado Enio Lacerda não está convencido das explicações do comerciante Carlos Oliveira e não descarta a possibilidade dos grampos terem motivação política. Carlos estava no grupo adversário ao prefeito eleito Dilceu Rossato e Zilaudio Pereira está, com Irineu Roveda Junior, fazendo a defesa judicial de processos em que Rossato foi acusado de compra de votos na campanha. Mas, recentemente, ele foi inocentado pela Justiça da Comarca de Sorriso.

Os três técnicos que fizeram a escuta clandestina correm o risco de ir para a cadeia porque o delegado ainda não se convenceu que eles fizeram uma simples extensão. Lacerda vai ouvir hoje, segunda-feira, o depoimento do responsável pela Brasil Telecom em Sorriso. Ele tem 10 dias para concluir o inquérito. O comerciante Carlos Oliveira será indiciado por crime de interceptação telefônica e pode ser condenado de 2 a 4 anos de reclusão.

O vice-prefeito Luiz Carlos Nardi e o advogado Zilaudio Pereira também prestaram depoimento no final de semana.