O empresário Elias Abrão Nassarden confirmou que criou algumas empresas que foram utilizadas em desvios de recursos públicos. Todas deveriam atuar no segmento de comércio e prestação de serviços. No contrato social elas estavam inseridas no ramo de papelaria. A declaração foi feita à juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, esta tarde.
Ele respondeu aos questionamentos dos promotores de Justiça, Samuel Frungillo e Marcos Bulhões, e relatou que em um certo dia recebeu uma ligação de José Riva sendo convidado para uma reunião. Nesse período Edemar Adans estava em viagem e disse que uma pessoa ligaria para ele para receber os valores. Essa pessoa era José Riva. Elias topou e “despachou” com Riva. Diz que levou dinheiro, mas não lembra os valores, acha que foi algo em torno dos R$ 250 mil que estava dentro de um pacote. Disse a Riva que estava entregando aquilo a pedido do Edemar. Conforme Elias, José Riva recebeu o dinheiro e agradeceu com um “muito obrigado”.
Ele disse que em 1998 prestou serviços para o ex-deputado estadual Nico Baracat (já falecido). Em 2003, passou a atender Nico fornecendo materiais como papéis, cartuchos, lapiseiras. As compras eram fracionadas inicialmente, de pequenos valores. Em um determinado momento, Nico pediu que ele fizesse uma licitação para regularizar os recebimentos, pois os valores estavam na casa dos R$ 15 mil, valores considerados altos, segundo Elias. Então foi licitada uma carta convite no valor de R$ 39 mil. Como precisava apresentar orçamentos de outras 2 empresas ele usava orçamentos em nome das próprias empresas criadas por ele em nome de familiares e de uma funcionária. Ele reafirma que tinha procuração dessas pessoas para ele gerenciar as empresas já que elas basicamente emprestaram os nomes para aberturas das empresas.
Elias revela que do contrato de R$ 39 mil ele só entregou R$ 15 mil de materiais. Ele relata que do valor pago sem prestar serviços ele deveria ficar com 12% e devolver o restante.
Edemar Adans, à época secretário-geral da Assembleia Legislativa, só queria pagar 10% e, segundo o réu-delator, houve divergências entre ele e Nico. Elias acredita que entregou no máximo R$ 500 mil em materiais nos vários anos em que participou com esquema com suas empresas de fachada que receberam valores milionários da Assembleia Legislativa.
Elias Nassarden relatou em detalhes dos desvios iniciados em meados de 2003. Conta que entregava diretamente a Edemar os valores que tinha que devolver após receber da Assembleia pelos serviços não prestados.
Em julho de 2009, Elias foi alertado por Edemar Adans que estava sendo monitorado e investigado, que haveria uma operação policial e que Elias deveria sair da cidade. Alertou que ele também não fosse até a Assembleia Legislativa e nem realizasse qualquer contato com Edemar.
(Atualizada às 15h35)


