Política

Deputado diz que “viu estrelas” no exame de próstata

No dia em que Salvador completou 456 anos e que fortes chuvas provocaram a morte de duas pessoas, o deputado estadual Manoel Isidório de Santana (PT), 43, ocupou a tribuna da Assembléia Legislativa da Bahia para fazer um discurso contra o toque retal, utilizado pelos médicos no exame de próstata.
     
No final da tarde de ontem, o deputado, mais conhecido como Sargento Isidório, disse que ficou traumatizado com o exame que havia realizado pela manhã. “Até agora estou vendo estrelas, graças à virulência do médico”, contou o deputado, um dos líderes da maior greve feita pela polícia baiana, em 2001.
     
Parlamentar folclórico –costuma ir às sessões carregando um botijão de gás, cujo preço prometeu baixar se fosse eleito –, Sargento Isidório disse em seu discurso que não é machista. “Pensava que era de uma outra maneira. Mas, da maneira que o médico me tratou, a maneira que foi introduzido aquele dedo, foi horrível. Quase que desmaio, não aceito”, saí de lá com o olho cheio de vaga-lume”, disse o deputado.
     
Mais à frente, Sargento Isidório disse que o exame feito em “pessoas menos esclarecidas” ainda é pior. “Se faz isso com um deputado, imagine com pessoas que não têm esclarecimento. Imagine com um sem-terra, com um desempregado.”

Paralelo ao seu discurso, o deputado fez questão de mostrar com gestos e gritos como foi o seu exame. “O médico chegou e foi colocando o dedo. É angustiante para um pai de família, principalmente com a minha idade, passar por isso”, disse. Em seguida, o deputado acrescentou que a medicina tem o dever de encontrar uma outra fórmula para o exame. “A ciência está aí querendo fazer até gente igual, criando tudo que é coisa. Tem de haver outros métodos.”
     
O deputado Targino Machado (PMDB), que é médico, em aparte, lembrou que existe outra fórmula para o exame, o PSA (exame de sangue usado para diagnosticar câncer de próstata). “Todo homem civilizado, depois dos 40 anos, deveria fazer o exame. Mas, deputado, por melhor que seja, o PSA não é totalmente eficiente. Então, temos de fazer o toque retal mesmo”, disse.
     
Enganado pelo médico
Demonstrando inconformismo com a opinião de Machado, o deputado petista voltou à tribuna para dizer que foi “enganado” pelo médico. “Jamais vou aceitar uma coisa dessa.”
     
Ao mesmo tempo em que falava e divertia os seus colegas, Sargento Isidório ainda foi obrigado a ouvir piadas. O deputado João Bonfim (sem partido), após o pronunciamento do parlamentar, perguntou para Sargento Isidório se foi mesmo o dedo que o médico usou para realizar o exame.
     
No final, o deputado Targino Machado voltou a defender o exame. “Não posso aceitar que vossa excelência venha a esta tribuna para fazer apologia contrária à prevenção do câncer de próstata. Eu e os outros homens, se não morrermos de outra enfermidade, seremos acometidos, com certeza, pela doenç