Política

Deputado de Mato Grosso acha que Duda não comprometeu Lula

Os depoimentos do publicitário Duda Mendonça e da sócia dele, Zilmar Fernandes, prestados ontem à CPMI dos Correios, não revelaram fato que comprometa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esta é a avaliação do deputado Carlos Abicalil (PT-MT), sub-relator de depoimentos da comissão. “É despropositado a oposição levantar a tese de que o fato de Duda Mendonça dizer que recebeu dinheiro do senhor Marcos Valério, em contas no exterior, como pagamento por dívidas do PT, significa que houve irregularidades na campanha presidencial”, afirmou.
   
Duda e Zilmar afirmaram na CPMI que, por orientação de Valério, abriram contas em Bahamas para receber uma dívida de cerca de R$ 10 milhões do PT. Duda explicou também que o pacote de marketing eleitoral fechado com o PT em 2002 foi de R$ 25 milhões e que recebeu R$ 13,5 milhões legalmente, com emissão de notas fiscais pelos trabalhos prestados. Ele fez questão de destacar que a campanha de Lula custou R$ 7 milhões. Valério é acusado de operar o suposto esquema de pagamento a parlamentares.
   
Para o deputado Maurício Rands (PT-PE), a tese da oposição é “apressada”. Ele enfatizou que o próprio Duda derruba este argumento ao confirmar que a campanha de Lula custou R$ 7 milhões – valor que foi declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – e que a empresa dele recebeu de forma oficial e emitiu recibos que totalizam R$ 13,5 milhões. “Qualquer contador sério, ao fechar uma contabilidade, prioriza os gastos legais com a campanha principal, neste caso devem ter sido priorizados os gastos com a campanha para a Presidência”, afirmou.

Verdade – Na avaliação do deputado Abicalil, se as informações de Duda forem verdadeiras, como a oposição considerou de imediato, o depoimento dele derruba outra tese da oposição: a de que teria ocorrido saída de dinheiro dos cofres públicos (verba de publicidade das estatais) para o partido. “Se as empresas do Duda Mendonça atendem contas do governo, por que ele precisaria entrar no esquema do senhor Marcos Valério para desviar dinheiro público?”, questionou. “Tudo isso, no mínimo, merece uma investigação mais detalhada e um cruzamento de informações de depoimento com os documentos que a comissão recebeu”, afirmou.
    
Na opinião do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), os depoimentos de Duda Mendonça e sua sócia abrem uma nova frente de investigação. “Eles afirmaram uma coisa nova, que é o envio de dinheiro para o exterior. Agora, precisamos verificar a origem desse dinheiro, os bancos envolvidos e se de fato só saiu estes R$ 10 milhões admitidos pelo Duda Mendonça”, afirmou.
   
Para o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), os fatos apresentados nos depoimentos por Duda e Zilmar causaram surpresa. “Como parlamentar e como integrante da Direção Nacional do PT, nunca fui informado e nunca discuti envio de dinheiro para o exterior para pagar contas do partido. É preciso analisar tudo isso com muito cuidado”, alertou. Bittar enfatizou, porém, que, mesmo com todas essas surpresas, não há nenhuma informação fornecida pelo publicitário que atinja o presidente Lula. “Ficou muito claro que os gastos da campanha presidencial foram pagos com recibo e de forma legal”.

Agenda – O presidente da CPMI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse que as novidades apresentadas ontem levarão a comissão a redefinir a agenda e o cenário dos trabalhos. Ele informou que a comissão fará reunião administrativa hoje para redefinir os nomes das pessoas que deverão ser ouvidas na próxima semana. “No mínimo, o depoimento de Duda e Zilmar mudou o cenário da comissão. Dentro da movimentação financeira de Marcos Valério, teremos que verificar os recursos enviados para o exterior”. Segundo Delcídio, a comissão trabalhará agora com fatos concretos: os documentos das transferências para as contas de Duda Mendonç