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Delegada e MPE não comentam inquérito sigiloso contra prefeita de Juara

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A delegada Alexandra Fachone, da Delegacia Fazendária (Defaz), evitou tecer qualquer tipo de comentário sobre um inquérito policial sigiloso que investiga um possível envolvimento da hoje prefeita de Juara, Luciane Bezerra (PSB), num dos fatos investigados na operação Sodoma envolvendo um suposto recebimento de R$ 700 mil do ex-secretário de Fazenda, Pedro Nadaf. Fachone foi ouvida pela juíza Selma Rosane Santos Arruda como testemunha de defesa na ação penal da 4ª fase da Sodoma.

Quem fez o questionamento para a delegada sobre as investigações envolvendo a ex-deputada estadual e hoje prefeita foi o advogado João Nunes da Cunha Neto, defensor do procurador aposentado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, um dos réus na ação penal que tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

O processo crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, coação no curso do processo, organização criminosa e receptação qualificada por causa um esquema de cobrança de propina de R$ 15,8 milhões envolvendo a desapropriação do terreno do bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá. A área foi comprada pelo Estado por R$ 31,8 milhões quando estava avaliada em R$ 17, 8 milhões.

Diante da insistência do jurista, a promotora Ana Cristina Bardusco interveio na conversa e esclareceu que por tratar-se de um caso que está sob sigilo não cabia à testemunha fazer qualquer comentário. Bardusco Reforçou também que Luciane hoje é prefeita e, portanto, possui foro por prerrogativa de função, o que significa que não cabe à juíza Selma Rasane decidir sobre qualquer questão ou acusação que respingue na ex-deputada. A competência é do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Nas investigações da 4ª fase da Operação Sodoma a Polícia Civil descobriu que um cheque da SF Assessoria e Organização de Eventos Eirelli – ME, empresa criada pelo empresário Filinto Muller para lavar dinheiro na ordem de R$ 15,857 milhões, foi depositado na conta corrente da empresa J. Lisboa da Hora EPP, de propriedade do empresário Celso Ricardo Azóia que é irmão de Luciane.

O caso veio à tona através de um depoimento de Pedro Nadaf em 25 de julho de 2016, onde o ex-secretário que afirmou ter usado parte do dinheiro desviado dos cofres públicos do Estado na fraude destinada a desapropriação do bairro Jardim Liberdade I, para pagar uma dívida de R$ 700 mil que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) mantinha com a ex-deputada Luciane Bezerra. No depoimento, Nadaf assegurou que Luciane Bezerra tinha pleno conhecimento de que o dinheiro recebido tinha origem ilícita.

Nadaf disse que o ex-governador Silval Barbosa quitou uma dívida de R$ 1 milhão. Diante dos indícios, a delegada Alexandra Fachone solicitou a abertura de um novo inquérito policial. De acordo com Nadaf, no ano de 2014, Silval Barbosa o convocou para ir a seu gabinete e revelou que possuía uma dívida com Luciane Bezerra.

A parlamentar teria dito a Silval Barbosa que não aceitaria mais receber os pagamentos por meio do chefe de Gabinete, Silvio César Corrêa de Araújo, que havia sido escalado para transferir o dinheiro em seu favor. Luciane Bezerra teria cobrado que os pagamentos fossem feitos pelo ex-secretário Pedro Nadaf, considerado em sua avaliação uma pessoa mais confiável e de melhor trato para lidar com a situação.

Nadaf revelou que a partir disso repassava pessoalmente o dinheiro à então deputada Luciane Bezerra em reuniões previamente agendadas em seu gabinete no Palácio Paiaguás. Para quitar a dívida por completo, Luciane Bezerra teria procurado Pedro Nadaf por 4 vezes em seu gabinete, no período de maio a agosto de 2014, oportunidade em que repassou mais R$ 300 mil.

Outro lado – a assessoria de Luciane Bezerra encaminhou nota onde informa que a prefeita está à disposição da Justiça e por enquanto não foi chamada para ser ouvida. 

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