Foi apresentado hoje o projeto da primeira Instituição Pública de Longa Permanência para Idosos (ILPI) de Cuiabá. A obra será executada em uma área de 1,2 hectare doada pelo Tribunal de Contas e marca a continuidade de um trabalho que inclui levantamento sobre o tema, definição de diretrizes e mobilização institucional para ampliar a rede de acolhimento. Com área construída de 4.586 metros quadrados, a unidade terá capacidade para atender até 104 pessoas e contará com equipe multidisciplinar. “A gente está cuidando de três situações: daqueles pais que não tiveram os filhos gratos, daqueles que os filhos até querem cuidar, mas não têm condições, e daqueles que ficaram sozinhos. Cuidar de quem já cuidou da gente é mais do que dever, é um ato de gratidão”, explicou o prefeito Abilio Brunini durante a apresentação. A expectativa é que o projeto sirva de referência para outras unidades a serem implantadas no Estado.
Segundo Abílio, cada módulo residencial abrigará até 16 idosos, em quartos compartilhados e integrados por jardins e corredores abertos. O projeto inclui refeitório, espaços de convivência, quiosques para atividades, sala de dança, academia, pilates e piscina térmica, além de área clínica para atendimento e transição de cuidados de saúde. “A minha intenção é que a gente tenha um condomínio fechado para os idosos. Não é um hospital ou um albergue, são um conjunto de lares”, afirmou. O custo de manutenção está estimado entre R$ 5,2 mil e R$ 6,5 mil por idoso ao mês, e a gestão será feita por organização social, com fiscalização e custeio sob responsabilidade do município.
As obras contarão com R$ 21 milhões oriundos de acordo de delação premiada homologada pelo Judiciário e R$ 25 milhões destinados por meio de emenda parlamentar da deputada Amália Barros (in memoriam). O restante será aportado pelo governo estadual e, após a conclusão, as instituições serão custeadas pelos municípios.
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou o papel do órgão no avanço do atendimento à população idosa no estado durante a apresentação do projeto. “Mato Grosso está envelhecendo. Temos quase 500 mil pessoas com mais de 60 anos, o que representa 12,5% da população estadual. E o mais preocupante é que mais de 53% dessa população idosa está em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Então, este é um dia de resultados, voltado para o futuro e para as pessoas que enfrentam desigualdades, que estão cada vez mais desassistidas. As minhas expectativas foram totalmente superadas. Eu não imaginava que seria isso tudo, principalmente na questão da humanidade. Não é um lugar para ficar, é um lugar para morar, onde a pessoa vai se sentir bem, criar vínculos e conviver”, afirmou Sérgio Ricardo.
O desembargador Orlando Perri chamou a atenção para a necessidade de ampliar as fontes de financiamento e envolver a iniciativa privada na manutenção das instituições. “Temos empresas fortes no estado que podem contribuir com ações sociais. O fundo do idoso não pode depender apenas do orçamento público. Se tivermos recursos suficientes, novas instituições vão surgir e ampliar essa rede de cuidado. É preciso construir essa base financeira para garantir sustentabilidade ao sistema “, pontuou. No mesmo sentido se pronunciou o promotor de Justiça Daniel Balan. “O desafio vai no seu custeio também, que é um valor considerável. Há um apagão dessa política a nível estadual, isso me chama a atenção”, afirmou. Ele também ressaltou que parte dos recursos investidos na obra tem origem em investigações conduzidas pelo Ministério Público. “Esse recurso foi fruto de investigação do Ministério Público, de ilícitos, e agora volta para a sociedade nesta instituição”, completou.
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