A comitiva do Estradeiro BR-163 — Do Campo ao Porto, formada por presidentes de 20 sindicatos rurais e liderada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), fez ontem visitas técnicas no Porto de Miritituba, no Pará, para acompanhar as condições logísticas do escoamento da safra de Mato Grosso pelo Arco Norte. O grupo saiu da região do KM 30 e seguiu até o porto, em um trajeto de pouco mais de 30 km, onde constatou mais de 25 km de fila de caminhões carregados com soja mato-grossense.
Durante a visita, caminhoneiros relataram longas esperas para triagem e descarregamento, além de falta de apoio básico ao longo da fila. Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o cenário evidencia a necessidade de ampliar a capacidade portuária e melhorar a gestão do fluxo com apoio do poder público. “Esse é um Brasil que transforma, um Brasil que gera muita riqueza, só que temos que ter respeito com essas pessoas. Infelizmente, não está havendo respeito com as pessoas que estão trabalhando”, afirmou Vilmondes.
Na fila, o caminhoneiro Luigi Brischiliari relatou ausência de estrutura mínima, como banheiros e pontos de atendimento, além de impactos emocionais causados pela espera prolongada. “Aqui a gente está jogado, não tem banheiro, a gente passa dificuldade. São muitos pais de família e não tá merecendo esse descaso, abala muito é o psicológico. Tem colega que fica tantas horas e acaba fazendo coisa errada na estrada”, afirmou.
Outro caminhoneiro, Rodrigo Caiçara, apontou falhas na triagem e na organização do fluxo, o que, segundo ele, contribui para o acúmulo de caminhões ao longo da rota até o porto. “O que a gente tá vendo aqui é falta de organização. Tem empresa que não tá suportando receber os caminhões. Isso vai entupindo a fila e por isso estou aqui há vários dias”, relatou, atraves da assessoria.
A Federação afirmou que defende uma agenda propositiva com o objetivo de reduzir filas e aumentar a previsibilidade do escoamento. A agenda da comitiva segue ao longo desta semana, realizando visitas e avaliação rodoviária às etapas de transbordo e porto no Arco Norte, reunindo informações para subsidiar propostas de infraestrutura e logística com foco em competitividade, segurança e condições de trabalho no transporte de cargas.
No mês passado, Só Notícias já havia antecipado reclamações de motoristas devido a longas filas e descaso por credenciamento nos terminais.
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