Política

Ciro Gomes e Lula lamentam morte de bispo em Mato Grosso

O ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, lamentou a morte do Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, 92 anos. A liderança católica faleceu ontem, em Batatais, no interior de São Paulo. “Nossa terra, nosso povo perde hoje um grande defensor e exemplo de vida generosa na luta por um mundo melhor, que nos fará muita falta”, disse o ex-presidente.

O ex-ministro da Fazenda, Ciro Gomes, que também foi candidato à presidência da República, na última eleição, também comentou a morte de Casaldáliga. “O Brasil perdeu hoje um grande lutador. Seu trabalho importante na defesa dos povos indígenas seguirá sendo exemplo para todos, ainda mais nestes tempos de ataques aos povos tradicionais”.

Conforme Só Notícias já informou, o bispo foi internado após problemas respiratórios e agravamento da doença de Parkinson. Com a saúde bastante debilitada, renunciou à Prelazia em 2005, e viveu seus últimos anos em São Félix do Araguaia, em companhia de freis agostinianos. “Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar”, era um de seus lemas.

O governador Mauro Mendes decretou luto de três dias pela morte da liderança católica. A Universidade do Estado de Mato Groso (Unemat) também emitiu nota e afirmou que o legado do religioso está entrelaçado com a história da instituição.

O primeiro título de Doutor Honoris Causa concedido pela universidade foi entregue a Casaldáliga, em janeiro de 2018, em “reconhecimento à luta pela permanência do câmpus no município de Luciara, no Araguaia, uma entre tantas batalhas que o bispo travou para que as populações mais pobres e indígenas da região tivessem consciência de seus direitos e lutassem por eles”.

Pere Casaldáliga i Pla nasceu em Balsareny, província de Barcelona, em 16 de fevereiro de 1928. Em 1968, quando se mudou para o Brasil, tinha a incumbência de fundar uma missão pela congregação religiosa a que pertenceu – Congregação dos Missionários Claretianos.

Fundador da Comissão Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Missionário, Dom Pedro ganhou notoriedade internacional ao denunciar atos de madeireiros, policiais e grandes proprietários rurais no regime militar contra posseiros, peões e povos indígenas.

Autor de inúmeros livros, Dom Pedro teve ao longo dos anos sua trajetória retratada por vários autores em obras como “Nós, do Araguaia: Dom Pedro Casaldáliga, bispo da teimosia e liberdade”, “São Félix/Brasil: Uma Iglesia que lucha contra la injusticia” e “Descalço sobre a terra vermelha”, de Francisco Escribano, que dá origem ao filme de mesmo nome ganhador do Prêmio Gaudi em 2015.

Só Notícias/Herbert de Souza (foto: divulgação)