PUBLICIDADE

Câmara faz sessão solene amanhã pelos 30 anos da Emenda Dante de Oliveira

PUBLICIDADE

A Câmara dos Deputados vai homenagear os 30 anos de apresentação da Emenda Dante de Oliveira, como ficou conhecida a proposta de realização de eleições diretas para presidente da República no Brasil.

A sessão solene está marcada para quinta-feira (25), às 10 horas. A sugestão da homenagem foi apresentada pelo deputado Nilson Leitão (PSDB-MT).

O então deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT) apresentou sua proposta em 2 de março de 1983. Pouco mais de um ano depois – em 25 de abril de 1984 – a emenda foi rejeitada por uma Câmara de maioria governista. Na contagem, 298 deputados votaram a favor, 65 contra e 3 se abstiveram. Não compareceram para votar 112 deputados. Para que fosse aprovada, eram necessários pelo menos 320 votos a favor.

Movimentação
Quem acompanhou a sessão naquele dia lembra-se da movimentação. "Foi um dia histórico. Uma grande multidão se mobilizou no País inteiro pelo direito de escolher seu presidente da República e perdemos por poucos votos", recorda o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, que já era deputado na época.

O deputado Sarney Filho (PV-MA), com 26 anos na época e filiado ao governista PDS, foi contra a orientação de seu partido e votou favoravelmente à emenda. "A minha geração aspirava à possibilidade de eleger presidente em eleições direta. Fui um dissidente do partido e votei a favor da emenda", recorda.

O cientista político David Fleischer veio com a mulher e a cunhada acompanhar a votação. Ficaram de pé, as mulheres sem os sapatos. Ele lembra que o dia foi marcado por vigilância forte sobre as pessoas que vinham de todas as partes do País apoiar a emenda e também por censura sobre a imprensa.

"A televisão não pôde transmitir ao vivo, mas diversas rádios de interior conseguiram fazer a transmissão a partir de ligações telefônicas de deputados conectadas com o sistema de som. Os generais haviam se esquecido dos telefones, não trancaram os telefones", explicou.

Sessão longa
A sessão foi longa. Começou às 9 horas e só terminou às 2 horas da madrugada do dia seguinte, como lembra o secretário-geral da Mesa da Câmara, Mozart Vianna, que em 1984 já era servidor da Casa. "A emenda contava com apoio de 84% da população. Havia um certo receio de que, caso a proposta fosse rejeitada, a população reagisse. Ela foi rejeitada, mas o ciclo não se encerrou aí."

De fato, à derrota da emenda seguiu-se uma grande mobilização popular – a campanha das Diretas Já -, que contribuiu para enfraquecer o regime militar. O sucessor de Figueiredo acabaria sendo escolhido pelo Colégio Eleitoral, sistema usado pela ditadura para criar uma aparência de normalidade democrática. A chapa vitoriosa foi a de Tancredo Neves (presidente) e José Sarney (vice), que derrotou a chapa formada por Paulo Maluf e Flávio Marcílio. Tancredo adoeceu antes de tomar posse e a presidência ficou com José Sarney, pai de Sarney Filho.

"A partir da emenda e por causa da mobilização, criaram-se as condições para que no Colégio Eleitoral – não através de uma eleição direta – pudéssemos fazer a transição para a democracia e a convocação da Constituinte. E aí, sim, através do voto direto, nós conseguimos consolidar a democracia que vem se fortalecendo ano a ano", afirma Sarney Filho.

"[Aquela votação] serviu de lição. Hoje temos o processo mais democrático de todos os países", diz o presidente Henrique Eduardo Alves.

A primeira eleição direta para presidente da República após a ditadura militar só ocorreu em 1989, com a vitória no segundo turno do candidato Fernando Collor (PRN) contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Homenagem
Dante Martins de Oliveira (1952-2006) foi eleito deputado estadual em 1978. Em 1982, elegeu-se deputado federal. Dante também exerceu os cargos de prefeito de Cuiabá e governador de Mato Grosso.

Na época em que apresentou a emenda pelas eleições diretas, ele argumentou que a legitimidade do mandato só é límpida se a autoridade for escolhida pela maioria do eleitorado. "Difere do que ocorre com outros candidatos, escolhidos em círculos fechados e inacessíveis à influência popular e às aspirações nacionais", comparou, então.

Para o deputado Nilson Leitão, a Emenda Dante de Oliveira transformou-se em um dos maiores movimentos políticos para acabar com a ditadura. "As Diretas Já representavam a aprovação popular da emenda", declara Leitão.

 

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mais notícias
Relacionadas

Câmara aprova criação da CPI da Águas de Sinop

Os vereadores aprovaram, esta noite, em sessão plenária, requerimento...

Projeto para 257 casas populares é apresentado na câmara de Nova Mutum

Vereadores de Nova Mutum se reuniram hoje com empresários...
PUBLICIDADE