A solenidade de assinatura do Programa Territórios da Cidadania, com presença do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes (PMDB), acabou se tornando um muro de lamentações e reclamações pelo que o governador Blairo Maggi (PR) chama de “preconceito” com Mato Grosso e com o setor produtivo, que segundo ele “está sendo crucificado injustamente, pois o somatório dos últimos 20 anos foram desmatados 128 mil quilômetros quadrados, ou 14% do território estadual, um percentual bem menor do que se imaginava”, disse o governador considerando que se medidas urgentes não forem adotadas, Mato Grosso caminhará para um “quebradeira” dentro do setor produtivo.
O ministro Stephanes, não só apoiou o governador como tomou a palavra, depois de já ter discursado para lembrar que as propriedades de terra ocupadas, 95% em Cerrado e 5% na Amazônia, também ficam impedidas de terem acesso a linhas de financiamentos para as próximas safras agrícolas.
Blairo Maggi, no decorrer da semana passada, chamou a atenção de deputados, senadores e autoridades para o risco de não se liberar os financiamentos para aquelas cidades que estão dentro do bioma Amazônia, que segundo ele, atingem a 80% do território mato-grossense e abrange municípios como Diamantino, que foi colonizada há quase 300 anos atrás.
“Em conversa com o superintendente do Banco do Brasil, Renato Barbosa que está deixando o Estado, fui informado de que o Ministério Público Estadual e Federal já notificaram a instituição da proibição de se conceder recursos para a safra agrícola para as propriedades incluídas no bioma Amazônia que não tiverem licenciamento ambiental”, frisou Maggi considerando a decisão gravíssima e de extremo risco para a economia nacional.
“Já vamos ter uma considerável redução de 10% na área plantada”, explicou o governador, ao pontuar que a Secretaria de Meio Ambiente do Estado não tem a mínima condição de expedir os licenciamentos. “Seriam necessários de 10 a 15 anos para atender essa necessidade”.
Maggi profetizou que as decisões das autoridades, independente de quem as tenha tomado, vão diminuir em níveis tão baixo a produção agrícola que acabarão com as atividades econômicas e não haverá como prefeitos e vereadores, nem deputados e muito menos o governo do Estado atender às necessidades mais urgentes da população.


